quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Do sertão da Bahia ao TJ, nova juíza empossada no AC foi empregada doméstica e trabalhou na roça: ‘educação salva vidas’

Rosilene Santana, de 38 anos, tomou posse no dia 8 de dezembro ao lado de mais 14 juízes. De família, humilde, ela conta que a educação foi a única maneira de mudar de vida.


Rosilene saiu do sertão da Bahia, foi faxineira, trabalhou na roça, até se tornar juíza no Acre  — Foto: Arquivo pessoal e Asscom

Rosilene saiu do sertão da Bahia, foi faxineira, trabalhou na roça, até se tornar juíza no Acre — Foto: Arquivo pessoal e Asscom

De beca, boa oratória e uma história inspiradora que emocionou os que estavam presentes na posse dos novos juízes do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). Quem vê hoje Rosilene Santana, de 38 anos, empossada juíza, não imagina a longa trajetória dela entre o sertão da Bahia, onde os pais eram agricultores e onde chegou a trabalhar na roça, até os tribunais do estado. É mais uma história de como a educação é capaz de mudar a vida das pessoas.

A segunda mais velha de sete irmãos, com perfil apaziguadora, ela sonhou em ser juíza antes mesmo de saber de fato que papel desenvolveria. Sempre disposta a ouvir os dois lados da história dos irmãos, passou a ser chamada de juíza dentro de casa.

Hoje, lotada provisoriamente na Vara de Infância e Juventude de Rio Branco e no 2º Juizado Especial Cível na capital, Rosilene relembra a infância e adolescência difíceis. Mesmo enfrentando muitos obstáculos, tudo era levado com muita leveza por ela. Isso porque o sonho dela sempre foi estudar.

“Nasci na roça e morei na roça até os 12 anos de idade, que foi quando fui morar sozinha com minha irmã que tinha 13 anos e nós fomos estudar. De 10 aos 12 anos fiquei sem estudar porque naquela comunidade que eu morava não teve aula, não foi designado um professor naquele ano para nós, para nossa comunidade. Então, aos 10 anos não estudei, quando eu tinha 12 foi aí que a gente saiu da roça e fomos morar sozinhas na cidade, eu e minha irmã, e lá nós encontramos alguns obstáculos, dificuldades financeira e de sobrevivência,” relembra.

Rosilene e a irmã assim que foram morar na cidade sozinha, dormindo em um colchão de solteiro  — Foto: Arquivo pessoal

Rosilene e a irmã assim que foram morar na cidade sozinha, dormindo em um colchão de solteiro — Foto: Arquivo pessoal

'Meu pai queria ter estudado'

Ao chegar na cidade, ela e a irmã foram morar na casa de conhecidos dos pais dela. “Nós dormíamos em uma cozinha desativada, as duas em um colchão de solteiro.

“Conto essa história não para me mostrar como coitada, mas a gente levava tudo com muita leveza, não sofria. Muito pelo contrário, a gente ficava feliz por estar tendo a oportunidade de estudar, porque meu pai queria ter estudado e ele não conseguiu, não teve a oportunidade. Então, apesar de ter sido uma loucura, ele deixar duas meninas de 12 e 13 anos morarem sozinhas, saindo da roça para morar na cidade, ele teve coragem e preferiu arriscar”, destaca.

Com medo de que voltassem para a roça, as duas irmãs não contavam as condições em que estavam. Mas, a mãe de Rosilene chegou a visitá-las. Enquanto isso, as duas meninas trabalhavam como domésticas para sobreviver, ganhando pouco mais de R$ 20. A mãe, quando ia visitá-las, também levava alguns temperos para vender na feira da cidade.

'A gente pedia restos de ossos'

Ao ver que as duas filhas moravam em uma cozinha desativada, ela decidiu procurar outro lugar. E as meninas foram morar em uma casa que não tinha banheiro.

“Eu dizia para a minha mãe não se preocupar, porque tínhamos medo de voltar para roça, e falava para ela que tinha comida na escola. Essa era a refeição mais reforçada que tínhamos, era na escola, porque a casa que trabalhávamos também era de pessoas simples, mal tinha para eles também. Eles pagavam a gente porque precisavam trabalhar e precisavam de alguém para ajudar. Foi nessa época que a gente começou a ir no açougue municipal, que ainda tem na cidade, e pedia os restos de ossos, os restos das coisas e fazíamos como sopa, cozinhava e completava a refeição que a gente fazia na escola. A gente levava isso com muita tranquilidade. Depois começamos a revender produtos que tinham em revistas”, relembra.

E no final de semana, elas faziam mais faxina e nas férias escolares voltavam para o povoado e trabalhavam no roçado para ajudar os pais.

“A gente produzia feijão e milho para vender. E brincávamos com o que tinha, por exemplo, nunca tivemos uma boneca. Quando queríamos brincar assim, fazíamos bonecas de milho.”

Educação básica

No povoado, o ensino era precário. Era um professor para dar aula para todos os alunos, de diferentes séries. Até o segundo ano do ensino médio, ela conta que nunca tinha tido acesso a uma biblioteca. Outra coisa que Rosilene lembra é que começou a estudar aos 7 anos de idade, bastante atrasada, e ainda ficou mais um tempo sem estudar, dos 10 aos 11 anos, como já citou.

Foi então que aos 19 anos decidiu se mudar para Colatina, no Espírito Santo. Chegando lá, teve outro problema, o início das aulas na nova cidade era mais cedo que na Bahia, onde morava antes. Com isso, ela não conseguiu se matricular no 3º ano, porque quando chegou na cidade as matrículas já haviam sido encerradas. Por isso, terminou o ensino médio no supletivo.

“Fiquei louca, não queria perder mais um ano, porque comecei a estudar com 7 anos, comecei velha. E aí fui no supletivo, me matriculei e terminei para não perder o ano.”

Os planos, ao terminar o ensino médio, era conseguir um emprego e fazer o curso de direito para se tornar juíza, como sempre sonhou, mas não foi tão fácil assim. “Dei um passo para trás e fui fazer alguns cursos para conseguir uma profissão e poder pagar minha faculdade de direito. Fiz vários cursos e na época vi no jornal que o instituto federal estava com inscrições abertas e aí tinha três cursos, para mim qualquer um servia, só precisava saber qual tinha mais oportunidade de trabalho, nenhum dos três era meu objetivo de vida. Então, fiz edificações”, destaca.

Rosilene contou que sempre quis ser juíza e lutou para que o sonho se realizasse  — Foto: Asscom/TJ-AC

Rosilene contou que sempre quis ser juíza e lutou para que o sonho se realizasse — Foto: Asscom/TJ-AC

Vida começou a mudar

A partir daí, Rosilene começava a redesenhar seu futuro. Ao se inscrever, veio o medo de não conseguir passar nas 25 vagas, isso porque ela reconhecia a deficiência da sua educação de base, com pouca orientação. Mas isso, não a fez desistir e sim motivou ainda mais para que ela fosse em busca de ajuda.

“Eu morava de um lado de um pensionário em que os meninos pagavam professor particular de química, física e matemática e eu precisava das aulas. Então, falei com o professor e ele me deu 50% de desconto nas aulas e as outras matérias eu estudava sozinha. Fiz a prova e fiquei em 21ª entre as 25 vagas. Eu lia o jornal com o resultado e não acreditava”, relembra.

Além da ajuda do professor, a juíza conta que estudava na mesa de uma vizinha, já que a casa que conseguia pagar não tinha estrutura para isso. “Eu pedi para a vizinha para eu estudar na mesa dela e ela deixou”, conta bem-humorada.

Resumidamente, ela conseguiu fazer o curso, trabalhar, e finalmente conseguir pagar a faculdade. Porém, mesmo ganhando na época pouco mais de R$ 700, pagar um curso sozinha e se manter ainda era bastante difícil. Ela fez a prova em duas faculdades particulares e em uma delas ela conseguiu um desconto de 50%.

Assim, ela se formou na faculdade Castelo Branco, em Colatina, e no nono período passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Mas, para se tornar juíza, precisou advogar por três anos, prática exigida para o concurso de magistratura.

‘Educação salva’

Foi uma longa trajetória, mas ela faz questão de destacar que encontrou boas pessoas nesse caminho. “Eu faço questão de ressaltar essas pessoas que passaram na minha vida e que foram bastante importantes. Todos os dias posso me ajoelhar e agradecer a Deus pelos anjos que colocou na minha vida. As pessoas percebiam que eu só queria estudar e me ajudavam como podiam.”

A educação, assim como em muitas histórias, foi aonde Rosilene pôde mudar de vida. Do trabalho na roça e como faxineira, a bagagem pessoal é grande e a fez se tornar uma juíza empática, sensível e humana.

Questionado sobre como sua história interfere no exercício de sua profissão, ela diz que isso a ajudou a entender a importância de ouvir e entender a história de cada um.

“No meu caso, acho que essa carga que trago comigo vai ser muito importante na hora de julgar, porque julgar é uma tarefa difícil, requer muita responsabilidade. Minha história é fundamental nas minhas decisões, embora o juiz deva ser imparcial, não somos neutros, principalmente nessa questão de políticas públicas, em especial a educação, que é muito importante.”

A mãe de Rosilene não conseguiu vê-la juíza. Ela morreu em 2018, já o pai ainda é vivo e mora no mesmo povoado Bahia. Quando soube da aprovação da filha, ficou, segundo ela, choroso, mas reforçou a ela que sabia que ela passaria.

No dia da posse, incentivada pelos colegas, ao ler seu discurso, ela fez uma breve síntese de como foi sua trajetória, como uma menina saiu do sertão da Bahia com o sonho de se tornar grande, não no sentido de poder, mas no sentido de expandir. Questionada sobre o que diria para tantos jovens que se veem nessa situação, ela se mostra uma defensora feroz da educação.

“Eu diria que a educação é capaz não só de transformar realidades, mas de salvar vidas.”

Novos juízes foram empossados no Acre em 8 de dezembro de 2022 — Foto: Asscom/TJ-AC

Novos juízes foram empossados no Acre em 8 de dezembro de 2022 — Foto: Asscom/TJ-AC

Fonte: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2023/01/01/do-sertao-da-bahia-ao-tj-nova-juiza-empossada-no-ac-foi-empregada-domestica-e-trabalhou-na-roca-educacao-salva-vidas.ghtml

Governo pode convocar entidades de postos para explicar os aumentos abusivos nos combustíveis, diz Wadih Damous

 “É uma possível decisão caso não haja uma volta dos preços aos patamares anteriores a esse aumento”, afirmou o secretário nacional do Consumidor

www.brasil247.com - (Foto: Reprodução | ABr)

247 — O secretário nacional do Consumidor, Wadih Damous (PT), em entrevista à TV 247, nesta terça-feira, 3, afirmou que o governo federal pode convocar entidades de postos para explicar os aumentos abusivos nos combustíveis. Na segunda-feira, 2, ele informou que notificou postos onde houve aumento no preço de combustíveis.

“Inaceitável e inexplicável a alta da gasolina pois não houve aumento no preço internacional do barril de petróleo e a isenção de tributos federais sobre os combustíveis foi renovada. Como Secretário Nacional do Consumidor já mandei notificar esses postos. Parece coisa orquestrada”, disse nas redes sociais na ocisão.

Ao 247, Damous destacou que foi enviado um ofício à Associação Nacional dos Proprietários de Postos de Combustíveis, cobrando explicações. “Demos um prazo de 48 horas. Vamos enviar a outras entidades que participam da formação desses preços”, explicou.

“Se for o caso, se até o final de semana esses preços não voltarem ao patamar anterior, vamos convocar todas essas entidades para, publicamente, dizerem por que aumentaram os preços. Isso não está decidido. É uma ideia, uma possível decisão caso não haja uma volta dos preços aos patamares anteriores a esse aumento”, afirmou.

Ainda, o secretário declarou que, nas redes sociais, alegou ter sido uma “ação orquestrada”, “mas isso foi num primeiro momento, não temos elementos para dizer isso”. No entanto, reforçou foi uma “ação deletéria, sem qualquer justificativa plausível”. E explicou que “[o ex-presidente Jair] Bolsonaro quis criar o caos, assinou um decreto em 31 de dezembro acabando com a desoneração”. 

“O presidente Lula, imediatamente, um dos seus primeiros atos foi prorrogar até fevereiro esse prazo de isenção dos tributos federais sobre os combustíveis, até que se tome pé da situação, a área econômica, juntamente com a Petrobrás, alinhe isso”, continuou. “Foi um ato de tocaia. Na virada do ano, aumentam esses preços, surpreendendo todo mundo, mas estamos tomando providências em relação a isso”.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/governo-pode-convocar-entidades-de-postos-para-explicar-os-aumentos-abusivos-nos-combustiveis-diz-wadih-damous

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Lula assina MP que mantém isenção de imposto federais sobre combustíveis

 A assinatura da Medida Provisória (MP) foi um dos primeiros atos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo após tomar posse

www.brasil247.com - Lula Lula (Foto: ABr)

Sputnik - A assinatura da Medida Provisória (MP) foi um dos primeiros atos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo após tomar posse.

 Embora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha criticado a prorrogação da isenção de tributos federais sobre combustíveis pelo governo de Jair Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) neste domingo (1º) mantendo o benefício.

 A MP mantém zerados os impostos federais (PIS/Cofins e Cide) sobre gasolina e etanol por 60 dias. De acordo com o governo, a desoneração do diesel foi prorrogada pelo prazo de um ano.

 A desoneração do PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis foi tomada pelo governo Bolsonaro em meados deste ano por conta da disparada do preço e de olho na campanha eleitoral. A medida, porém, perdia validade no último dia do ano.

 A expectativa do governo é que a nova direção da Petrobras, cujo indicado para presidência é senador Jean Paul Prates (PT), mude a política de preços da estatal e reduza os valores. Com isso, seria possível revogar a isenção.

 A desoneração dos impostos federais sobre os combustíveis custaria R$ 52 bilhões neste ano.

 Controle de armas

 O presidente Lula também assinou decreto que reduz o acesso às armas e munições e suspende o registro de novas armas de uso restrito de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs). Ele também suspende as autorizações de novos clubes de tiro até a edição de nova regulamentação.

 O decreto condiciona a autorização de porte de arma à comprovação da necessidade – atualmente, bastava uma simples declaração. Ele determina o recadastramento no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal, em 60 dias, de todas as armas adquiridas desde 2019.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/lula-assina-mp-que-mantem-isencao-de-imposto-federais-sobre-combustiveis

Em primeiras medidas como presidente, Lula garante R$ 600 ao Bolsa Família e revoga vários decretos de Bolsonaro

 Presidente Lula restringiu o acesso a armas, garante o pagamento dos R$ 600 às famílias pobres e revoga decretos que impedem combate aos crimes ambientais e a participação social

www.brasil247.com - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina decretos Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina decretos (Foto: Reprodução/TV Brasil)

Do Gabinete de Lula - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou neste domingo (01/01), no dia que assume o governo, medidas provisórias e decretos que cumprem os compromissos assumidos durante o período eleitoral e que garantem o atendimento e a visibilidade a áreas historicamente ignoradas no Brasil. Nos atos normativos, Lula inicia a reestruturação da política de controle de armas, garante o pagamento dos R$ 600 para famílias necessitadas, define a estrutura da Presidência da República e dos ministérios e o combate ao crime ambiental, entre outros.

Por meio da edição de medida provisória, o presidente garante o pagamento de R$ 600 para todas as mais de 21 milhões de famílias beneficiárias do programa de transferência de renda vigente no país. Trata-se da primeira medida de enfrentamento à fome e à miséria no Brasil. Lula também prorrogou, por mais 60 dias, a isenção de tributos federais nos combustíveis.

A estrutura da Presidência da República e os 37 ministérios que compõe o governo, sem a criação de cargos públicos, inauguram uma nova gestão na Administração Pública Federal, mais eficiente. Os órgãos compartilharão estruturas administrativas, como recursos humanos e contratos, por exemplo, permitindo que as Pastas se concentrem na elaboração e implementação de políticas públicas.

Controle de armas

O presidente Lula assinou decreto que dá início ao processo de reestruturação da política de controle de armas no país. Com o objetivo de ampliar a segurança da população brasileira, o decreto reduz o acesso às armas e munições e suspende o registro de novas armas de uso restrito de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs). Também suspende as autorizações de novos clubes de tiro até a edição de nova regulamentação.

O decreto condiciona a autorização de porte de arma à comprovação da necessidade – atualmente, bastava uma simples declaração. E determina o recadastramento no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal, em 60 dias, de todas as armas adquiridas a partir da edição do Decreto n° 9.785, de 2019.

Entre as restrições estabelecidas pelo decreto assinado pelo presidente Lula estão a proibição do transporte de arma municiada, a prática de tiro desportivo por menores de 18 anos e a redução de seis para três na quantidade de armas para o cidadão comum, entre outras. Pelo decreto, o presidente determinou a criação de um grupo de trabalho que terá 60 dias para apresentar uma proposta de nova regulamentação do Estatuto do Desarmamento.

Combate ao crime ambiental e ao desmatamento

Na solenidade no Palácio do Planalto, o presidente da República assinou decreto que reestabelece o combate ao desmatamento na Amazônia, no Cerrado e em todos os biomas brasileiros, recuperando o protagonismo do Ibama. Dessa maneira, Lula marca a retomada do compromisso brasileiro com a agenda climática global.

Por meio de despacho, o presidente determinou ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima que apresente, em 45 dias, uma proposta de nova regulamentação para o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Em outro decreto assinado neste domingo, Lula reestabelece o Fundo Amazônia e viabiliza a utilização de R$ 3,3 bilhões em doações internacionais para combater o crime ambiental na Amazônia.
Também por meio de decreto, o presidente revoga medida do governo anterior que incentivava o garimpo ilegal na Amazônia, em terras indígenas e em áreas de proteção ambiental.

Sigilos indevidos e decretos segregadores

Com a edição de dois decretos, o presidente Lula revoga normas impeditivas, criadas pelo governo Bolsonaro, como o decreto que segregava crianças, jovens e adultos com deficiência, impedindo o acesso à educação inclusiva, e o decreto que criou barreiras para a participação social na discussão e elaboração de políticas públicas.

O presidente também assinou um despacho determinando que a Controladoria-Geral da União reavalie, no prazo de 30 dias, as inúmeras decisões do ex-presidente que impuseram sigilo indevido sobre documentos e informações da Administração Pública.

Homenagem e incentivo aos catadores

Lula determinou aos ministros e às ministras que encaminhem propostas para retirar do processo de desestatização empresas públicas como Petrobras, Correios e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), entre outras.

Em homenagem à memória de Diogo Santana, ativista pelos movimentos sociais, o presidente determinou que a Secretaria Geral elabore uma proposta de recriação do Pró-Catadores, programa que fomenta e incentiva as atividades desenvolvidas pelos catadores de materiais recicláveis no país.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/em-primeiras-medidas-como-presidente-lula-garante-r-600-ao-bolsa-familia-e-revoga-varios-decretos-de-bolsonaro

Confira os 37 ministros empossados por Lula

 Após ser empossado presidente da República pelo Congresso, Lula deu posse neste domingo (1°) aos ocupantes dos ministérios do novo governo

www.brasil247.com - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu posse aos 37 ministros de seu governo neste domingo (1º). Veja abaixo a lista de todos os ministros empossados:

>>> Histórico: Empossado na Presidência, Lula sobe a rampa do Palácio do Planalto e recebe a faixa das mãos do povo brasileiro

  1. Gabinete de Segurança Institucional: general da reserva Marco Edson Gonçalves Dias
  2. Secretaria-Geral: Márcio Macêdo (PT)
  3. Comunicações: Juscelino Filho (União Brasil)
  4. Integração e Desenvolvimento Regional: Waldez Góes (PDT)
  5. Educação: Camilo Santana (PT)
  6. Minas e Energia: Alexandre Silveira (PSD)
  7. Esportes: Ana Moser
  8. Transportes: Renan Filho (MDB)
  9. Defesa: José Múcio Monteiro
  10. Casa Civil: Rui Costa (PT)
  11. Justiça: Flávio Dino (PSB)
  12. Fazenda: Fernando Haddad (PT)
  13. Portos e Aeroportos: Márcio França (PSB)
  14. Agricultura: Carlos Fávaro (PSD)
  15. Pesca: André de Paula (PSD)
  16. Gestão: Esther Dweck
  17. Relações Institucionais: Alexandre Padilha (PT)
  18. Cidades: Jader Filho (MDB)
  19. Advocacia-Geral da União: Jorge Messias
  20. Controladoria-Geral da União: Vinícius Marques de Carvalho
  21. Turismo: Daniela Carneiro (União Brasil)
  22. Previdência Social: Carlos Lupi, presidente do PDT
  23. Ciência e Tecnologia: Luciana Santos (PCdoB)
  24. Planejamento: Simone Tebet (MDB)
  25. Saúde: Nísia Trindade
  26. Relações Exteriores: Mauro Vieira
  27. Igualdade Racial: Anielle Franco
  28. Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin (PSB)
  29. Povos Indígenas: Sônia Guajajara (PSOL)
  30. Mulheres: Cida Gonçalves (PT)
  31. Direitos Humanos: Silvio Almeida
  32. Cultura: Margareth Menezes
  33. Desenvolvimento Social: Wellington Dias (PT)
  34. Meio Ambiente e Mudanças Climáticas: Marina Silva (Rede)
  35. Trabalho: Luiz Marinho (PT)
  36. Desenvolvimento Agrário: Paulo Teixeira (PT)
  37. Secretaria de Comunicação Social: Paulo Pimenta (PT)
  38. Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/confira-o-37-ministros-empossados-por-lula

Leia a íntegra do discurso de posse do presidente Lula

 Presidente empossado defendeu a democracia em discurso no Congresso Nacional, confira a íntegra

www.brasil247.com - Pronunciamento do presidente da República recém empossado, Luiz Inácio Lula da Silva. Pronunciamento do presidente da República recém empossado, Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

247 - Confira a íntegra do discurso lido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional em sua cerimônia de posse neste domingo (1).

>> “Democracia para sempre”, diz Lula, em seu histórico discurso de posse

>> “Superamos a mais abjeta campanha de mentiras”, diz Lula, em discurso de posse

Discurso de Lula:

"Pela terceira vez compareço a este Congresso Nacional para agradecer ao povo brasileiro o voto de confiança que recebemos. Renovo o juramento de fidelidade à Constituição da República, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros que conosco vão trabalhar pelo Brasil.

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Se estamos aqui, hoje, é graças à consciência política da sociedade brasileira e à frente democrática que formamos ao longo desta histórica campanha eleitoral.

Foi a democracia a grande vitoriosa nesta eleição, superando a maior mobilização de recursos públicos e privados que já se viu; as mais violentas ameaças à liberdade do voto, a mais abjeta campanha de mentiras e de ódio tramada para manipular e constranger o eleitorado.

Nunca os recursos do estado foram tão desvirtuados em proveito de um projeto autoritário de poder. Nunca a máquina pública foi tão desencaminhada dos controles republicanos. Nunca os eleitores foram tão constrangidos pelo poder econômico e por mentiras disseminadas em escala industrial.

Apesar de tudo, a decisão das urnas prevaleceu, graças a um sistema eleitoral internacionalmente reconhecido por sua eficácia na captação e apuração dos votos. Foi fundamental a atitude corajosa do Poder Judiciário, especialmente do Tribunal Superior Eleitoral, para fazer prevalecer a verdade das urnas sobre a violência de seus detratores.

Queridos amigos e amigas,

Ao retornar a este plenário da Câmara dos Deputados, onde participei da Assembleia Constituinte de 1988, recordo com emoção os embates que travamos aqui, democraticamente, para inscrever na Constituição o mais amplo conjunto de direitos sociais, individuais e coletivos, em benefício da população e da soberania nacional.

Vinte anos atrás, quando fui eleito presidente pela primeira vez, ao lado do companheiro vice-presidente José Alencar, iniciei o discurso de posse com a palavra “mudança”. A mudança que pretendíamos era simplesmente concretizar os preceitos constitucionais. A começar pelo direito à vida digna, sem fome, com acesso ao emprego, saúde e educação.

Disse, naquela ocasião, que a missão de minha vida estaria cumprida quando cada brasileiro e brasileira pudesse fazer três refeições por dia.

Ter de repetir este compromisso no dia de hoje – diante do avanço da miséria e do regresso da fome, que havíamos superado – é o mais grave sintoma da devastação que se impôs ao país nos anos recentes.

Hoje, nossa mensagem ao Brasil é de esperança e reconstrução. O grande edifício de direitos, de soberania e de desenvolvimento que esta Nação levantou, a partir de 1988, vinha sendo sistematicamente demolido nos anos recentes. É para reerguer este edifício de direitos e valores nacionais que vamos dirigir todos os nossos esforços.

SENHORAS E SENHORES,

Em 2002, dizíamos que a esperança tinha vencido o medo, no sentido de superar os temores diante da inédita eleição de um representante da classe trabalhadora para presidir os destinos do país. Em oito anos de governo deixamos claro que os temores eram infundados. Do contrário, não estaríamos aqui novamente.

Ficou demonstrado que um representante da classe trabalhadora podia, sim, dialogar com a sociedade para promover o crescimento econômico de forma sustentável e em benefício de todos, especialmente dos mais necessitados. Ficou demonstrado que era possível, sim, governar este país com a mais ampla participação social, incluindo os trabalhadores e os mais pobres no orçamento e nas decisões de governo.

Ao longo desta campanha eleitoral vi a esperança brilhar nos olhos de um povo sofrido, em decorrência da destruição de políticas públicas que promoviam a cidadania, os direitos essenciais, a saúde e a educação. Vi o sonho de uma Pátria generosa, que ofereça oportunidades a seus filhos e filhas, em que a solidariedade ativa seja mais forte que o individualismo cego.

O diagnóstico que recebemos do Gabinete de Transição de Governo é estarrecedor. Esvaziaram os recursos da Saúde.

Desmontaram a Educação, a Cultura, a Ciência e Tecnologia. Destruíram a proteção ao Meio Ambiente. Não deixaram recursos para a merenda escolar, a vacinação, a segurança pública, a proteção às florestas, a assistência social.

Desorganizaram a governança da economia, dos financiamentos públicos, do apoio às empresas, aos empreendedores e ao comércio externo. Dilapidaram as estatais e os bancos públicos; entregaram o patrimônio nacional. Os recursos do país foram rapinados para saciar a estupidez dos rentistas e de acionistas privados das empresas públicas.

É sobre estas terríveis ruínas que assumo o compromisso de, junto com o povo brasileiro, reconstruir o país e fazer novamente um Brasil de todos e para todos.

SENHORAS E SENHORES,

Diante do desastre orçamentário que recebemos, apresentamos ao Congresso Nacional propostas que nos permitam apoiar a imensa camada da população que necessita do Estado para, simplesmente, sobreviver.

Agradeço à Câmara e ao Senado pela sensibilidade frente às urgências do povo brasileiro. Registro a atitude extremamente responsável do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União frente às situações que distorciam a harmonia dos poderes.

Assim fiz porque não seria justo nem correto pedir paciência a quem tem fome.

Nenhuma nação se ergueu nem poderá se erguer sobre a miséria de seu povo.

Os direitos e interesses da população, o fortalecimento da democracia e a retomada da soberania nacional serão os pilares de nosso governo.

Este compromisso começa pela garantia de um Programa Bolsa Família renovado, mais forte e mais justo, para atender a quem mais necessita. Nossas primeiras ações visam a resgatar da fome 33 milhões de pessoas e resgatar da pobreza mais de 100 milhões de brasileiras e brasileiros, que suportaram a mais dura carga do projeto de destruição nacional que hoje se encerra.

SENHORAS E SENHORES,

Este processo eleitoral também foi caracterizado pelo contraste entre distintas visões de mundo. A nossa, centrada na solidariedade e na participação política e social para a definição democrática dos destinos do país. A outra, no individualismo, na negação da política, na destruição do Estado em nome de supostas liberdades individuais.

A liberdade que sempre defendemos é a de viver com dignidade, com pleno direito de expressão, manifestação e organização.

A liberdade que eles pregam é a de oprimir o vulnerável, massacrar o oponente e impor a lei do mais forte acima das leis da civilização. O nome disso é barbárie.

Compreendi, desde o início da jornada, que deveria ser candidato por uma frente mais ampla do que o campo político em que me formei, mantendo o firme compromisso com minhas origens. Esta frente se consolidou para impedir o retorno do autoritarismo ao país.

A partir de hoje, a Lei de Acesso à Informação voltará a ser cumprida, o Portal da Transparência voltará a cumprir seu papel, os controles republicanos voltarão a ser exercidos para defender o interesse público.

Não carregamos nenhum ânimo de revanche contra os que tentaram subjugar a Nação a seus desígnios pessoais e ideológicos, mas vamos garantir o primado da lei. Quem errou responderá por seus erros, com direito amplo de defesa, dentro do devido processo legal.

O mandato que recebemos, frente a adversários inspirados no fascismo, será defendido com os poderes que a Constituição confere à democracia. Ao ódio, responderemos com amor. À mentira, com a verdade. Ao terror e à violência, responderemos com a Lei e suas mais duras consequências.

Sob os ventos da redemocratização, dizíamos: ditadura nunca mais! Hoje, depois do terrível desafio que superamos, devemos dizer: democracia para sempre!

Para confirmar estas palavras, teremos de reconstruir em bases sólidas a democracia em nosso país. A democracia será defendida pelo povo na medida em que garantir a todos e a todas os direitos inscritos na Constituição.

SENHORAS E SENHORES,

Hoje mesmo estou assinando medidas para reorganizar as estruturas do Poder Executivo, de modo que voltem a permitir o funcionamento do governo de maneira racional, republicana e democrática. Para resgatar o papel das instituições do estado, bancos públicos e empresas estatais no desenvolvimento do país. Para planejar os investimentos públicos e privados na direção de um crescimento econômico sustentável, ambientalmente e socialmente.

Em diálogo com os 27 governadores, vamos definir prioridades para retomar obras irresponsavelmente paralisadas, que são mais de 14 mil no país. Vamos retomar o Minha Casa Minha Vida e estruturar um novo PAC para gerar empregos na velocidade que o Brasil requer. Buscaremos financiamento e cooperação – nacional e internacional – para o investimento, para dinamizar e expandir o mercado interno de consumo, desenvolver o comércio, exportações, serviços, agricultura e a indústria.

Os bancos públicos, especialmente o BNDES, e as empresas indutoras do crescimento e inovação, como a Petrobras, terão papel fundamental neste novo ciclo.

Ao mesmo tempo, vamos impulsionar as pequenas e médias empresas, potencialmente as maiores geradoras de emprego e renda, o empreendedorismo, o cooperativismo e a economia criativa.

A roda da economia vai voltar a girar e o consumo popular terá papel central neste processo.

Vamos retomar a política de valorização permanente do salário-mínimo. E estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição.

Vamos dialogar, de forma tripartite – governo, centrais sindicais e empresariais – sobre uma nova legislação trabalhista. Garantir a liberdade de empreender, ao lado da proteção social, é um grande desafio nos tempos de hoje.

SENHORAS E SENHORES,

O Brasil é grande demais para renunciar a seu potencial produtivo. Não faz sentido importar combustíveis, fertilizantes, plataformas de petróleo, microprocessadores, aeronaves e satélites. Temos capacidade técnica, capitais e mercado em grau suficiente para retomar a industrialização e a oferta de serviços em nível competitivo.

O Brasil pode e deve figurar na primeira linha da economia global.

Caberá ao estado articular a transição digital e trazer a indústria brasileira para o Século XXI, com uma política industrial que apoie a inovação, estimule a cooperação público-privada, fortaleça a ciência e a tecnologia e garanta acesso a financiamentos com custos adequados.

O futuro pertencerá a quem investir na indústria do conhecimento, que será objeto de uma estratégia nacional, planejada em diálogo com o setor produtivo, centros de pesquisa e universidades, junto com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, os bancos públicos, estatais e agências de fomento à pesquisa.

Nenhum outro país tem as condições do Brasil para se tornar uma grande potência ambiental, a partir da criatividade da bioeconomia e dos empreendimentos da socio-biodiversidade. Vamos iniciar a transição energética e ecológica para uma agropecuária e uma mineração sustentáveis, uma agricultura familiar mais forte, uma indústria mais verde.

Nossa meta é alcançar desmatamento zero na Amazônia e emissão zero de gases do efeito estufa na matriz elétrica, além de estimular o reaproveitamento de pastagens degradadas. O Brasil não precisa desmatar para manter e ampliar sua estratégica fronteira agrícola.

Incentivaremos, sim, a prosperidade na terra. Liberdade e oportunidade de criar, plantar e colher continuará sendo nosso objetivo. O que não podemos admitir é que seja uma terra sem lei. Não vamos tolerar a violência contra os pequenos, o desmatamento e a degradação do ambiente, que tanto mal já fizeram ao país.

Esta é uma das razões, não a única, da criação do Ministério dos Povos Indígenas. Ninguém conhece melhor nossas florestas nem é mais capaz de defendê-las do que os que estavam aqui desde tempos imemoriais. Cada terra demarcada é uma nova área de proteção ambiental. A estes brasileiros e brasileiras devemos respeito e com eles temos uma dívida histórica.

Vamos revogar todas as injustiças cometidas contra os povos indígenas.

Queridos amigos e amigas,

Uma nação não se mede apenas por estatísticas, por mais impressionantes que sejam. Assim como um ser humano, uma nação se expressa verdadeiramente pela alma de seu povo. A alma do Brasil reside na diversidade inigualável da nossa gente e das nossas manifestações culturais.

Estamos refundando o Ministério da Cultura, com a ambição de retomar mais intensamente as políticas de incentivo e de acesso aos bens culturais, interrompidas pelo obscurantismo nos últimos anos.

Uma política cultural democrática não pode temer a crítica nem eleger favoritos. Que brotem todas as flores e sejam colhidos todos os frutos da nossa criatividade. Que todos possam dela usufruir, sem censura nem discriminações.

Não é admissível que negros e pardos continuem sendo a maioria pobre e oprimida de um país construído com o suor e o sangue de seus ascendentes africanos. Criamos o Ministério da Promoção da Igualdade Racial para ampliar a política de cotas nas universidades e no serviço público, além de retomar as políticas voltadas para o povo negro e pardo na saúde, educação e cultura.

É inadmissível que as mulheres recebam menos que os homens, realizando a mesma função. Que não sejam reconhecidas em um mundo político machista. Que sejam assediadas impunemente nas ruas e no trabalho. Que sejam vítimas da violência dentro e fora de casa. Estamos refundando também o Ministério das Mulheres para demolir este castelo secular de desigualdade e preconceito.

Não existirá verdadeira justiça num país em que um só ser humano seja injustiçado. Caberá ao Ministério dos Direitos Humanos zelar e agir para que cada cidadão e cidadã tenha seus direitos respeitados, no acesso aos serviços públicos e particulares, na proteção frente ao preconceito ou diante da autoridade pública. Cidadania é o outro nome da democracia.

O Ministério da Justiça e da Segurança Pública atuará para harmonizar os Poderes e entes federados no objetivo de promover a paz onde ela é mais urgente: nas comunidades pobres, no seio das famílias vulneráveis ao crime organizado, às milícias e à violência, venha ela de onde vier.

Estamos revogando os criminosos decretos de ampliação do acesso a armas e munições, que tanta insegurança e tanto mal causaram às famílias brasileiras. O Brasil não quer mais armas; quer paz e segurança para seu povo.

Sob a proteção de Deus, inauguro este mandato reafirmando que no Brasil a fé pode estar presente em todas as moradas, nos diversos templos, igrejas e cultos. Neste país todos poderão exercer livremente sua religiosidade.

SENHORAS E SENHORES,

O período que se encerra foi marcado por uma das maiores tragédias da história: a pandemia de Covid-19. Em nenhum outro país a quantidade de vítimas fatais foi tão alta proporcionalmente à população quanto no Brasil, um dos países mais preparados para enfrentar emergências sanitárias, graças à competência do nosso Sistema Único de Saúde.

Este paradoxo só se explica pela atitude criminosa de um governo negacionista, obscurantista e insensível à vida. As responsabilidades por este genocídio hão de ser apuradas e não devem ficar impunes.

O que nos cabe, no momento, é prestar solidariedade aos familiares, pais, órfãos, irmãos e irmãs de quase 700 mil vítimas da pandemia.

O SUS é provavelmente a mais democrática das instituições criadas pela Constituição de 1988. Certamente por isso foi a mais perseguida desde então, e foi, também, a mais prejudicada por uma estupidez chamada Teto de Gastos, que haveremos de revogar.

Vamos recompor os orçamentos da Saúde para garantir a assistência básica, a Farmácia Popular, promover o acesso à medicina especializada. Vamos recompor os orçamentos da Educação, investir em mais universidades, no ensino técnico, na universalização do acesso à internet, na ampliação das creches e no ensino público em tempo integral.

Este é o investimento que verdadeiramente levará ao desenvolvimento do país.

O modelo que propomos, aprovado nas urnas, exige, sim, compromisso com a responsabilidade, a credibilidade e a previsibilidade; e disso não vamos abrir mão. Foi com realismo orçamentário, fiscal e monetário, buscando a estabilidade, controlando a inflação e respeitando contratos que governamos este país.

Não podemos fazer diferente. Teremos de fazer melhor.

SENHORAS E SENHORES,

Os olhos do mundo estiveram voltados para o Brasil nestas eleições. O mundo espera que o Brasil volte a ser um líder no enfrentamento à crise climática e um exemplo de país social e ambientalmente responsável, capaz de promover o crescimento econômico com distribuição de renda, combater a fome e a pobreza, dentro do processo democrático.

Nosso protagonismo se concretizará pela retomada da integração sul-americana, a partir do Mercosul, da revitalização da Unasul e demais instâncias de articulação soberana da região. Sobre esta base poderemos reconstruir o diálogo altivo e ativo com os Estados Unidos, a Comunidade Europeia, a China, os países do Oriente e outros atores globais; fortalecendo os BRICS, a cooperação com os países da África e rompendo o isolamento a que o país foi relegado.

O Brasil tem de ser dono de si mesmo, dono de seu destino. Tem de voltar a ser um país soberano. Somos responsáveis pela maior parte da Amazônia e por vastos biomas, grandes aquíferos, jazidas de minérios, petróleo e fontes de energia limpa. Com soberania e responsabilidade seremos respeitados para compartilhar essa grandeza com a humanidade – solidariamente, jamais com subordinação.

A relevância da eleição no Brasil refere-se, por fim, às ameaças que o modelo democrático vem enfrentando. Ao redor do planeta, articula-se uma onda de extremismo autoritário que dissemina o ódio e a mentira por meios tecnológicos que não se submetem a controles transparentes.

Defendemos a plena liberdade de expressão, cientes de que é urgente criarmos instâncias democráticas de acesso à informação confiável e de responsabilização dos meios pelos quais o veneno do ódio e da mentira são inoculados. Este é um desafio civilizatório, da mesma forma que a superação das guerras, da crise climática, da fome e da desigualdade no planeta.

Reafirmo, para o Brasil e para o mundo, a convicção de que a Política, em seu mais elevado sentido – e apesar de todas as suas limitações – é o melhor caminho para o diálogo entre interesses divergentes, para a construção pacífica de consensos. Negar a política, desvalorizá-la e criminalizá-la é o caminho das tiranias.

Minha mais importante missão, a partir de hoje, será honrar a confiança recebida e corresponder às esperanças de um povo sofrido, que jamais perdeu a fé no futuro nem em sua capacidade de superar os desafios. Com a força do povo e as bênçãos de Deus, haveremos der reconstruir este país.

Viva a democracia!

Viva o povo brasileiro!

Muito obrigado."

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/leia-a-integra-do-discurso-de-posse-do-presidente-lula

Bom dia 247: a posse histórica de Lula (2.1.23)

domingo, 1 de janeiro de 2023

A posse de Lula, cobertura especial da TV 247

Lula toma posse na Presidência depois de uma épica ressurreição política

 Após vencer uma perseguição política histórica e derrotar o fascismo, Lula volta à Presidência da República com a missão de devolver a dignidade e a esperança aos brasileiros

www.brasil247.com - Lula Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Por Aquiles Lins, 247 - Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) tomam posse na presidência da República e vice-presidência neste domingo, 1° de janeiro de 2023, num clima de esperança na reconstrução da democracia e das políticas sociais no Brasil. Considerado o maior presidente que o país já teve, segundo recente pesquisa Datafolha, Lula é o único líder político brasileiro a ser eleito três vezes presidente desde a redemocratização. 

O retorno de Lula ao protagonismo da política brasileira, no entanto, foi adiado por quatro anos. Nas eleições de 2018, Lula liderava as intenções de voto, mas foi impedido de disputar o pleito com base na lei da Ficha Limpa, após ser vítima de uma das maiores perseguições políticas da história do país, sendo condenado sem provas por corrupção e lavagem de dinheiro e preso por 580 dias. O lawfare que tirou Lula da disputa permitiu que o fascismo assumisse o poder no Brasil, com a eleição de Jair Bolsonaro (PL). 

Com Bolsonaro na presidência, intensificou-se a destruição da frágil rede de políticas sociais e garantias de direitos aos trabalhadores, iniciadas com o golpe contra a presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 e a chegada de Michel Temer (MDB) à presidência. Os anos Temer/Bolsonaro trouxeram a fome de volta ao Brasil, com 33 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave no Brasil, além de retrocessos em praticamente todas as áreas de governo. Foram seis anos em que o país priorizou o liberalismo selvagem e estado mínimo, em detrimento das necessidades da classe trabalhadora e dos mais pobres. 

Preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, com os direitos políticos cassados, Lula chegou a ser considerado por opositores políticos e por uma parte da mídia corporativa, historicamente antipetista, como superado. Não era mais “player”. A realidade, entretanto, insistiu em mostrar o contrário. Com apoio de uma militância aguerrida, de parlamentares, movimentos sociais, centrais sindicais, artistas e de veículos da mídia progressista, como este Brasil 247, Lula e sua defesa jurídica, capitaneada pelos advogados Cristiano Zanin e Valeska Zanin Martins, denunciaram ao mundo o lawfare que sofreu e foi reconhecido em todas as instâncias judiciais existentes. Lula foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), venceu 26 processos na Justiça e obteve o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) de que teve seus direitos fundamentais sequestrados pela Operação Lava Jato. 

Tendo provado sua inocência de maneira inconteste, Luiz Inácio Lula da Silva se concentrou em liderar a formação de uma ampla coalizão política que permitisse ao povo brasileiro sonhar novamente com dias mais felizes. Trouxe para junto de si adversários históricos como o vice Geraldo Alckmin, juntou nove partidos políticos, incluindo legendas que haviam se afastado do PT desde o golpe de 2016, e trouxe a política de volta ao palco principal dos destinos do país. 

A concertação política liderada por Lula realizou um feito histórico no Brasil em outubro de 2022: saiu vitorioso em uma eleição dominada pelo abuso de poder econômico por Jair Bolsonaro e seus aliados no Congresso Nacional e pela disseminação de notícias falsas. Lula foi eleito presidente com mais de 60 milhões de votos, na maior votação da história do Brasil. Apesar das manifestações de caráter golpista feitas por bolsonaristas, a vitória de Lula foi reconhecida imediatamente pelos principais países do mundo e pela Justiça Eleitoral. Primeiro presidente a não conseguir se reeleger desde a democratização, Jair Bolsonaro mergulhou em silêncio constrangedor, enquanto indiretamente apoiava as ações golpistas de seus apoiadores. Por fim, pegou um avião da FAB e deixou o Brasil em direção aos Estados Unidos, dois dias antes da posse do novo presidente.

Neste domingo, a partir das 15 horas, Lula concretiza sua ressurreição épica na política do Brasil, quando será recepcionado pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD) e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP). Em seguida, Lula e Alckmin serão encaminhados até o plenário da Câmara dos Deputados, onde ocorrerá a cerimônia formal de posse presidencial, que dura cerca de uma hora. Lula deve realizar dois pronunciamentos. O primeiro, no Congresso Nacional, pouco tempo após as 15h; e o segundo, no parlatório do Palácio do Planalto, às 16h45. Os discursos deverão ter duração de cerca de 15 a 20 minutos cada, onde Luiz Inácio Lula da Silva falará sobre os desafios à frente do governo, além de pregar a união e a pacificação do país. A partir daí, se inicia um novo ciclo no Brasil, voltado pela esperança, pelo cuidado com os mais pobres e pela valorização da democracia. 

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/lula-toma-posse-na-presidencia-depois-de-uma-epica-ressurreicao-politica

Jornal A FOLHA: "A vitória de Lula foi a maior derrota da extrema ...

Jornal A FOLHA: "A vitória de Lula foi a maior derrota da extrema ...:   Professor afirma que o pesadelo fascista ainda não terminou, mas diz que a democracia deve ser muito celebrada João Cezar de Castro Rocha...