sábado, 30 de março de 2024

Democracia em alta na sociedade brasileira

Datafolha: 71% dos brasileiros apoiam a democracia e 7% preferem ditadura

Ato pela democracia. Foto: Reprodução

A democracia é a melhor forma possível de governo para 71% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (30). 18% dos entrevistados dizem que “tanto faz” o regime em que o país vive e 7% acreditam que uma ditadura é preferível em algumas circunstâncias.

O atual número dos brasileiros que preferem a democracia é um dos mais altos registrados no período estudado pelo Datafolha, que questiona entrevistados sobre o tema desde setembro de 1989. A taxa sofreu uma queda desde o seu pico, em outubro de 2022, quando o número era 79%.

Em dezembro de 2023, o apoio à democracia caiu para 74% e a taxa dos que apontam que “tanto faz” oscilou três pontos percentuais para cima. A aceitação da ditadura ficou no mesmo patamar no período.

O menor apoio à democracia registrado pelo Datafolha ocorreu em 1992, quando o país vivia uma crise política durante o governo do ex-presidente Fernando Collor (então PRN). Em setembro daquele ano foi aberto um pedido de impeachment contra o mandatário e a aceitação da ditadura atingiu seu maior nível até aqui: 23%.

Segundo pesquisa Datafolha, 7% dos brasileiros acreditam que uma ditadura seria aceitável em certas circunstâncias. Foto: Reprodução

O maior apoio ao regime democrático é registrado entre os entrevistados de classe média e os mais ricos. A taxa é de 87% entre os que ganham de 5 a 10 salários mínimos e de 85% na faixa superior de renda. Mulheres são o grupo com o menor apoio, com 66%.

Nem todos estão felizes com o regime, mas o número tem crescido. De 2014 para cá, o número dos que se dizem satisfeitos subiu de 9% para 18%. Os que se dizem pouco satisfeitos caíram de 59% para 53% e os insatisfeitos oscilaram de 28% para 27%.

Para 6% dos brasileiros, o país vive uma democracia plena. Quase a metade da população (46%), no entanto, afirma que há grandes problemas no regime. São 28% os que veem pequenos problemas e 9% os que afirmam que o Brasil não é uma democracia plena.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 147 cidades do país entre os dias 19 e 20 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte:  https://www.blogger.com/blog/post/edit/7910370922163291105/1520166512257733824

 

Veja ai quem é realmente um 'Homem de Bem'

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sexta-feira, 29 de março de 2024

Bom dia 247: Brasil e França reforçam parceria estratégica (29.3.24)

quarta-feira, 27 de março de 2024

Taxa de nascimento no Brasil está diminuindo

 

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Taxa de natalidade no Brasil em 2022 atingiu o menor patamar em 45 anos

 
 
Segundo dados do IBGE, todas as regiões do país registraram queda no número de nascimentos, com Nordeste e Norte liderando a lista.
O Brasil atingiu, no ano de 2022, o menor patamar de nascimentos dos últimos 45 anos, segundo dados das Estatísticas do Registro Civil, divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o levantamento, a taxa de natalidade no Brasil em 2022 recuou 3,5% em relação a 2021, caindo para 2,54 milhões de nascimentos. É o menor patamar desde 1977, sendo que a série histórica foi iniciada em 1974.
Cliente usa dinheiro em barraca de ovos na feira livre de São Paulo, Brasil - Sputnik Brasil, 1920, 01.03.2024
Panorama internacional
IBGE: PIB do Brasil cresceu 2,9% em 2023; agropecuária tem alta recorde
No recorte por estados, a Paraíba foi o que registrou a maior queda na taxa de natalidade, com -9,9%, seguida por Maranhão (-8,5%), Sergipe (-7,8%) e Rio Grande do Norte (-7,3%). Os únicos estados que registraram alta na taxa de natalidade foram Santa Catarina (2,0%) e Mato Grosso (1,8%).
Ademais, o levantamento também mostrou que o número de casamentos bateu recorde em 2022, com um alta de 4,0%, totalizando 970 mil casamentos. O número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo também aumentou, totalizando 11 mil. Em paralelo, o número de divórcios registrou recorde, com um aumento de 8,6% em 2022.
Fonte:  https://sputniknewsbr.com.br/20240327/taxa-de-natalidade-no-brasil-em-2022-atingiu-o-menor-patamar-em-45-anos--33786805.html

sábado, 23 de março de 2024

Por democracia e sem anistia

 

'Por democracia e sem anistia': atos no Brasil e no exterior cobram punição a golpistas e lembram 60 anos do golpe militar

Manifestações também denunciam massacre do povo palestino praticado por Israel

Brasil de Fato | Recife (PE) |
Em Curitiba, manifestantes são contra anistia para os golpistas do oito de Janeiro - Gibran Mendes / CUT-PR

Movimentos populares realizam, neste sábado (23), uma série de manifestações em todo Brasil contra a anistia aos golpistas envolvidos nos atos do 8 de janeiro, em Brasília

Todas as regiões do país tiveram mobilizações convocadas pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, sindicatos e partidos do campo progressista. Pela manhã, houve ações em Maceió (AL), Vitória (ES), Campo Grande (MS), Belém (PA), Aracaju (SE) Recife (PE), São Luís (MA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Goiânia (GO) e Lisboa, em Portugal. Em outras capitais, como São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Salvador (BA), as manifestações ocorreram nesta tarde. 

 Veja o vídeo em:  https://twitter.com/i/status/1771641118968467751

 
Os manifestantes saíram às ruas para cobrar punição aos envolvidos nos atos golpistas e afirmar que será um erro histórico do país perdoar os crimes contra o Estado praticados pelos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, os atos lembraram os 60 anos do golpe militar de 1964, com as palavras de ordem "Ditadura nunca mais" e denunciaram o genocídio contra o povo palestino praticado por Israel


No Ceará, manifestantes saem às ruas em defesa da democracia / Thainá Duete - Comunicação da CUT/CE


"Lutar por democracia é lutar por memória, verdade e justiça. Nós, dos movimentos populares, demarcamos essa compreensão histórica do nosso país, ainda que tenhamos limitações institucionais. Para rememorar os tristes dias de Ditadura Militar, nós estamos nas ruas", afirmou Elisa Maria, integrante do Movimento Brasil Popular, no Recife. 

Na capital pernambucana, o ato se concentrou na praça do Derby e também contou com manifestações por pedido de paz na Palestina. 


Ato em Recife, Pernambuco, na Praça do Derby / Elisa Maria

No Maranhão, os manifestantes se reuniram em uma plenária do Solar Maria Firmina, em São Luís, onde trataram sobre a defesa da democracia e as punições aos golpistas.


Plenária em São Luís reuniu organizações do campo e da cidade / Elitiel Guedes

Em Goiânia, a mobilização aconteceu na sexta-feira (22), organizada pelo Fórum Goiano em defesa da Democracia, Direitos e da Soberania. A mobilização também foi por memória e justiça para as vítimas do regime militar e contra a viagem do governador do estado, Ronaldo Caiado, a Israel. Além disso, os manifestantes pautaram a luta contra as privatizações. 

Em Porto Alegre (RS), movimentos populares realizaram ato no Largo Glênio Peres para reforçar a importância da defesa da democracia. A manifestação ocorre às vésperas dos 60 anos do golpe que deu início à ditadura militar no país, em 1964, e lembrou das 434 mortes confirmadas nas mãos do regime e milhares de casos de tortura. Participantes do protesto também repudiaram uma eventual anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023.


Ato em defesa da democracia em Porto Alegre (RS) ocorreu no Largo Glênio Peres / Jorge Leão

Mesmo sob chuva, os movimentos populares saíram às ruas, neste sábado (23), em São Paulo, para dizer "Ditadura nunca mais" e pedir punição aos golpistas do 8 de janeiro de 2023. O ato reuniu cerca de cinco mil pessoas no Largo São Francisco. 


Ato em São Paulo reúne manifestantes no Largo de São Francisco / Junior Lima @xuniorl

Na manifestação em Salvador (BA), a presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffman defendeu que golpistas de 8 de janeiro precisam 'pagar por seus crimes'. "Nós temos o devido processo legal para que ele seja o berço das investigações. Isso que a gente quer. Independente de quem for. Se é militar, civil, se foi presidente da República, se é deputado, se é parlamentar", argumentou.

"Bolsonaro não pode ir para a rua querer a conciliação do Brasil quando ele atentou contra isso e contra a estabilidade das instituições brasileiras e de toda a política que tínhamos de construção do país", acrescentou a deputada.

No exterior

Na manhã deste sábado(23), também foram registradas atividades na Praça Luís de Camões, em Lisboa. A atividade foi organizada pelas seguintes organizações brasileiras: Núcleo do PT em Portugal, PCdoB, Comitê Popular de Mulheres em Portugal, Comitê Popular de Estudantes Brasileiros em Portugal, Comitê de Luta Portugal, Portuando - Associação de Apoio aos Brasileiros em Situação de Imigração e Coletivo Pau Brasil. 

 


Em Lisboa, manifestação ecoa o pedido de paz na Palestina / @maurilioaraujophotography

Também participaram do ato integrantes do movimento Argentina No Se Vende - Asamblea Portugal,  que estão em luta contra as ações do governo de Javier Milei.

"Não vamos aceitar pedido de anistia"

Em entrevista ao Brasil de Fato, no último dia 12, João Paulo Rodrigues, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que considera um absurdo conceder anistia aos golpistas do oito de janeiro. 

"Nós, da esquerda brasileira, não vamos aceitar esse pedido de anistia. É um absurdo, porque os crimes que eles cometeram, quando estavam no governo, tanto quanto já estavam fora, foram gravíssimos, do ponto de vista jurídico e político. Por isso, a nossa luta, no Congresso Nacional e na imprensa, é para que não se aceite essa barbárie. Por isso, a nossa luta é "não" a anistia. Pelo contrário, que a justiça alcance eles", explicou. 
 


Em Belo Horizonte, ato relembra as vítimas do golpe militar de 1964 / Coletivo de Comunicação do @ptbhoficial


Rud Rafael, da coordenação nacional da Frente Povo Sem Medo, também critica o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro tentar apelar para o perdão, diante dos prováveis crimes cometidos por ele e seu grupo político. 

"É um absurdo que agora Bolsonaro queira aparecer de vítima, alguém que de alguma forma fez de tudo para criar um clima de guerra na sociedade brasileira, colocou em xeque o sistema político brasileiro. Seu discurso impulsionou várias ocupações na frente dos quarteis. O que aconteceu no 8 de janeiro é amplamente repudiado pela sociedade brasileira e isso não pode ficar impune".

Em fevereiro, durante ato na Avenida Paulista, Bolsonaro mudou o tom do discurso e adotou uma postura menos agressiva contra as instituições, ao contrário do que ele exibia durante o governo. No palco, pediu para "passar uma borracha" nos atos do passado e perdão aos envolvidos nas manifestações golpistas. 

"Teria muito a falar, tem gente que sabe que eu falaria. O que eu busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado. É buscar maneira de vivermos em paz, não continuarmos sobressaltados. É, por parte do parlamento brasileiro, uma anistia para os pobres coitados que estão presos em Brasília. Não queremos mais que seus filhos sejam órfãos de pais vivos", discursou o ex-presidente. 

 

Edição: Geisa Marques

Fonte:  https://www.brasildefato.com.br/2024/03/23/por-democracia-e-sem-anistia-atos-no-brasil-e-no-exterior-cobram-punicao-a-golpistas-e-lembram-60-anos-do-golpe-militar

 

O povo não esquece que a ditadura foi real e não podemos deixar que isso se repita

 

Ativistas promovem atos em defesa da democracia brasileira

Participantes chamam a atenção para crise no Oriente Médio

Publicado em 23/03/2024 - 17:42 Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - São Luís

ouvir:

Movimentos sociais, estudantes, sindicalistas e ativistas ocuparam as ruas de várias cidades do país neste sábado (23) para realizar ato em defesa da democracia, do direito à memória e justiça e contra o golpismo.

As manifestações ocorreram faltando pouco mais de uma semana do aniversário de 60 anos do golpe civil-militar de 1964, no dia 31 de março. Hoje, os manifestantes ressaltaram a importância de não deixar cair no esquecimento os chamados anos de chumbo, período da ditadura de 1964 a 1985.

Em São Luís, no Maranhão, a manifestação foi marcada para às 9h, na praça Deodoro, no centro da cidade. Na sequência, os participantes realizaram uma assembleia popular onde reforçaram a importância de se punir os participantes e organizadores dos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023. Eles criticaram ainda a decisão do governo de não promover ações sobre o período da ditadura.

“Esse ato simboliza a necessidade, que é uma necessidade contínua do não esquecimento, sobretudo, do golpe de 64. Há uma determinação ou uma orientação do atual comando político do país, do próprio governo Lula, de não se fazer um ato referido ao tema. Mas nós, enquanto sociedade civil, não podemos nos dar ao luxo de não fazer ato de memória, porque é a democracia que vivemos hoje é algo que custou caro, mas custou muito caro para os que efetivamente lutaram para que nós hoje possamos usufruir o pouco que temos. Acho que esse ato ele cumpre essa tarefa de comunicar, de dizer que nós não podemos nos dar ao luxo de esquecer o que vivemos, para, inclusive, assegurar que gerações futuras tenham conhecimento das razões do porquê estamos aqui hoje”, disse à Agência Brasil, Danilo Serejo, liderança quilombola e integrante do Movimento dos Atingidos pela Base de Alcântara (Mabe).

Para ele, bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e mestre em Ciência Política pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), o ato também é um recado de que deve haver a responsabilização dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

“Os atos de 8 de janeiro estão diretamente conectados em razão da história mal resolvida que a sociedade brasileira e o Estado brasileiro têm com a ditadura. Não ter resolvido isso da forma como se deveria ter sido resolvido, não ter punido os generais, os militares que atuaram naquele momento é o que dá sustentação à tentativa de golpes como essa do 8 de janeiro. Por isso que é muito ruim do ponto de vista simbólico a orientação do governo brasileiro atual de não querer fazer um ato em memória ao golpe de 64”, assinalou.

O vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Maranhão, e estudante do curso de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Clark Azúca, destacou que o grito de “ditadura nunca mais” é a voz da sociedade em favor dos valores democráticos, contra qualquer tentativa de retrocesso autoritário. Por isso, a necessidade do direito à memória.

“A gente está falando hoje, no ato, que é um ato sobre memória, justiça e verdade. E a gente precisa lembrar  que o esteio comum a tudo isso é a não elaboração da memória pública, tanto para o golpe militar que aconteceu no Brasil, que não teve uma elaboração da nossa memória enquanto sociedade”, afirmou Azúca.

“A gente não pode falar em nação sem pensar na memória da gente. A memória é constitutiva, historicamente, do etos [costumes] da gente. Então, a gente tem uma organização social em que, simplesmente, se torna tabu falar sobre a ditadura militar, um processo tão traumático para toda a sociedade, mas especialmente para o povo. A gente está realmente com uma identidade que é faltosa de uma parte constitutiva da gente, como se fosse uma lacuna, um elefante branco do qual ninguém fala”, assinalou.

Ditadura

Durante o regime autoritário - que durou mais de duas décadas - opositores foram perseguidos, torturados e mortos, a exemplo dos estudantes Honestino Guimarães, então presidente da UNE, e Edson Luís. Houve censura imposta à imprensa, atingindo também a cultura. Artistas tiveram suas obras mutiladas, muitos foram exilados.

“Um dos primeiros atos da ditadura militar foi incendiar a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), porque sempre foi uma entidade que estava lutando, que nunca esteve fora da rua, que nunca deixou de estar falando. E os estudantes têm que estar presentes nisso, têm que estar presentes na rua, demandando a nossa justiça, demandando política para a gente, para a nossa juventude, demandando que a gente possa estar sendo representado. A gente precisa lembrar dos nossos mártires, a gente precisa lembrar de Honestino Guimarães, a gente precisa lembrar de Edson Luís. Esses foram nomes de pessoas que deram a vida para que a gente pudesse estar aqui hoje. A gente não pode deixar isso esquecer, a gente precisa sempre deixar nossa memória viva”, defendeu Azúca.

O estudante ressaltou, ainda, que diferentemente do final do regime militar, onde houve anistia dos crimes políticos cometidos por militares, tem que haver a responsabilização dos organizadores e participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro.

“A gente teve nossa sede [da UNE] incendiada na ditadura militar, nós fomos criminalizados, teve gente presa e torturada e isso não pode ser esquecido, isso faz parte de quem somos, isso faz parte de quem somos enquanto União Nacional de Estudantes, faz parte enquanto juventude, isso faz parte da nossa história. Por isso que é tão importante para a gente estar nesses locais falando com a população, falando com os estudantes e levando justamente para conhecimento desse momento da nossa história, que não pode ser esquecido. É até curioso pensar que tem gente que volta a falar sobre a anistia e foi isso que não possibilitou que a gente elaborasse a nossa perda, porque foi um pacto social de silêncio em relação a todos os desmandos que aconteceram”, relatou.

“A gente está falando sobre a necessidade de que a juventude, principalmente, tenha acesso a essa parte do nosso passado que afeta diariamente a gente. A gente veio de um governo nos anos anteriores que eram filhos e filhas dessa truculência, dessa violência e desses absurdos da ditadura militar. Isso voltou para a gente, foi a gente que sofreu agora. Por mais que isso seja um sofrimento diferente, que tenha acontecido em tempos diferentes, mas uma coisa está relacionada a uma outra. A gente não pode deixar de relacionar isso. E a gente não pode deixar de elaborar essa memória para que, justamente, isso não se repita”, finalizou Azúca.

São Paulo (SP), 23/03/2024 - Mobilização nacional de lutas pela democracia e contra anistia a golpistas, organizada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, Largo São Francisco. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Mobilização em defesa da democracia e contra anistia a golpistas movimentou São Paulo e outras cidades  Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Voz da juventude

A professora do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão, Arleth Borges, disse que a participação da juventude nesses espaços é fundamental para o impulsionamento das lutas populares no país.

“É muito simbólico, muito bom, que os estudantes estejam aqui, porque isso é uma garantia de vida, de luta, tanto no presente quanto no futuro, e a gente precisa disso, porque os desafios colocados são imensos, não são de agora, [eles são] uma luta tenaz, demorada”, argumentou.

“Estamos numa conjuntura muito desafiante e complexa. Mesmo o pouco que a gente alcançou [após a ditadura militar] está sob risco e a gente tem que dar a centralidade da luta de defender a democracia. Depois que terminou a ditadura, eles ficaram envergonhados, tiveram um momento de um certo acanhamento e, agora, a direita está aí, mais extremista do que nunca. Às vezes, a gente se ressente de que somos poucos, mas ninguém está aqui com condições facilitadas como as que a gente viu naquele 8 de janeiro. A nossa luta tem uma dignidade. Fico contente por todo mundo que está aqui lembrando a associação [do 8 de janeiro] com 1964”, emendou.

A professora relacionou, também, momentos históricos do país em que houve ruptura institucional quando governos progressistas chegaram ao poder, a exemplo do governo do presidente João Goulart (foto). Arleth disse ainda que é fundamental para a memória do país a construção do Museu de Memória e Direitos Humanos, com memórias da ditadura militar.

“Os indígenas e os quilombolas começam a levantar a cabeça e vem novamente a tal da roda-viva, querendo de novo nos rebaixar, nos agachar. Foi assim quando, por exemplo, a gente, como país, queria levantar a cabeça após a ditadura do Estado Novo, aí veio o golpe de 64. Aí, a gente estava se reerguendo, agora de novo, depois da ditadura militar, votando por partido e presidente de esquerda no comando do país, aí vem novamente. Então, é um desafio que é permanente, mas que só empresta grandiosidade à nossa luta e à nossa resistência. 1964 não acabou, é um desafio, é uma página que paira sobre as nossas cabeças. É fundamental que a gente nunca deixe de lembrar disso, pelos que se foram, por nós que estamos aqui e pelos outros que ainda virão e nós temos um compromisso com o futuro desse país, com a dignidade para as nossas novas gerações”, finalizou Arleth.

Palestina

Os atos de hoje - organizados pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo - contaram com apoio de centrais sindicais e partidos progressistas e também chamam atenção para o massacre contra o povo palestino promovido por Israel em Gaza.

As autoridades de Gaza afirmam que, desde o início da guerra de Israel com o Hamas, em 7 de outubro, 32.142 pessoas morreram na Faixa de Gaza, a maioria mulheres e crianças. Pelo menos 72 pessoas morreram nas últimas 24 horas. Nessa sexta-feira (22), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não conseguiu aprovar uma resolução que pedia cessar-fogo imediato em Gaza.

“A gente está aqui falando de memória e a gente sabe que precisa saber da história para saber que está acontecendo um genocídio na Palestina”, finalizou Azúca.

Edição: Kleber Sampaio 

Fonte:  https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-03/ativistas-promovem-atos-em-defesa-da-democracia-brasileira

quarta-feira, 20 de março de 2024

Juro da celic está baixando lentamente

 

Copom reduz juros básicos da economia para 10,75% ao ano

Queda de 0,5 ponto era esperada pelo mercado financeiro

Publicado em 20/03/2024 - 18:38 Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil - Brasília

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O comportamento dos preços fez o Banco Central (BC) cortar os juros pela sexta vez seguida. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Em comunicado, o Copom informou que deverá fazer apenas mais uma redução de 0,5 ponto na próxima reunião, em maio, o que aumenta a chance de a autoridade pausar o ciclo de cortes a partir de junho. Nos textos anteriores, o órgão indicava que prosseguiria com as reduções “nas próximas reuniões”.

Segundo o comunicado, o cenário para a inflação permanece inalterado, com riscos tanto de alta como de baixa. Entre os fatores que podem elevar a inflação, estão a persistência das pressões inflacionárias globais e o aquecimento do setor de serviços. Entre os possíveis fatores de queda, estão a desaceleração da economia global maior que a projetada e impactos mais fortes que o esperado das altas de juros em outros países.

A taxa está no menor nível desde março de 2022, quando também estava em 10,75% ao ano. De março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo de aperto monetário que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis. Por um ano, de agosto de 2022 a agosto de 2023, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano por sete vezes seguidas.

Antes do início do ciclo de alta, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica iniciada em 1986. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia de covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o indicador ficou em 0,83% e acumula 4,5% em 12 meses. Após sucessivas quedas nos últimos meses, a inflação voltou a subir levemente por causa de alimentos e de serviços de educação.

O índice em 12 meses está exatamente no teto da meta de inflação. Para 2024, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou meta de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 4,5% nem ficar abaixo de 1,5% neste ano. 

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a estimativa de que o IPCA fecharia 2024 em 3,5% no cenário base. A projeção, no entanto, pode ser revista na nova versão do relatório, que será divulgada no fim de março.

As previsões do mercado estão mais otimistas que as oficiais. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,79%, abaixo portanto do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 3,82%.

Crédito mais barato

A redução da taxa Selic ajuda a estimular a economia. Isso porque juros mais baixos barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais baixas dificultam o controle da inflação. No último Relatório de Inflação, o Banco Central reduziu para 1,7% a projeção de crescimento para a economia em 2024.

O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem a expansão de 1,8% do PIB em 2023.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

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ArteDJOR

 Edição: Carolina Pimentel 

Fonte:  https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-03/copom-reduz-juros-basicos-da-economia-para-1075-ao-ano

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