As
informações foram divulgadas nesta sexta-feira (28) pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), fonte dos
principais indicadores sobre emprego no país.
No
período analisado, o número de pessoas desocupadas recuou para 5,910
milhões — o menor patamar desde o início da pesquisa. O volume mostra
queda de 3,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior e redução
de 11,8% frente ao mesmo período de 2024. Já a população ocupada do país
permaneceu em patamar elevado, somando 102,5 milhões de trabalhadores,
com nível de ocupação de 58,8%.
O emprego com carteira assinada
voltou a bater recorde, alcançando 39,182 milhões de pessoas no setor
privado. A taxa composta de subutilização seguiu em 13,9%, também a
menor da série. Entre os subocupados por insuficiência de horas
trabalhadas, o contingente caiu para 4,572 milhões, o menor número desde
2016.
A força de trabalho potencial recuou para 5,2 milhões —
índice mais baixo desde 2015 — após ter atingido 13,8 milhões no auge da
pandemia, entre maio e julho de 2020. Já o número de desalentados caiu
para 2,647 milhões, longe do pico de 5,829 milhões registrado no início
de 2021.
Para a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE,
Adriana Beringuy, o bom desempenho recente do mercado de trabalho
explica a redução do desemprego. “O elevado contingente de pessoas
ocupadas nos últimos trimestres contribui para a redução da pressão por
busca por ocupação e, como resultado, a taxa de desocupação segue em
redução, alcançando nesse trimestre o menor valor da série histórica”,
afirmou.
Construção e administração pública puxam a alta da ocupação
Dois dos dez grupamentos de atividade analisados apresentaram
crescimento na ocupação em relação ao trimestre móvel anterior. A
Construção avançou 2,6%, o equivalente a mais 192 mil trabalhadores. Já o
setor de Administração pública, defesa, seguridade social, educação,
saúde humana e serviços sociais cresceu 1,3%, somando mais 252 mil
ocupados.
O grupamento de Outros serviços recuou 2,8%, com perda estimada de 156 mil vagas.
Na
comparação com o trimestre encerrado em outubro de 2024, houve expansão
em Transporte, armazenagem e correio (3,9%, ou mais 223 mil pessoas) e,
novamente, em Administração pública e áreas correlatas (3,8%, ou mais
711 mil pessoas). Já os segmentos de Outros serviços (-3,6%) e de
Serviços domésticos (-5,7%) registraram retração.
Informalidade estabilizada e carteira assinada em alta
A taxa de informalidade permaneceu em 37,8%, correspondente a 38,7
milhões de trabalhadores — estabilidade em relação ao trimestre anterior
e queda frente aos 38,9% de outubro de 2024.
O emprego formal no
setor privado, que atingiu 39,182 milhões de pessoas, apresentou
estabilidade no trimestre e alta de 2,4% ao ano. O funcionalismo público
somou 12,9 milhões de trabalhadores, também estável no período e 2,4%
superior ao registrado no ano anterior.
Entre os informais, os
empregados sem carteira assinada (13,6 milhões) ficaram estáveis
trimestre a trimestre, mas exibiram queda de 3,9% no acumulado de um
ano. O total de trabalhadores por conta própria (25,9 milhões) manteve
estabilidade no trimestre e cresceu 3,1% na comparação anual.
Massa de rendimento cresce e alcança valor recorde
A massa de rendimento real habitual dos trabalhadores atingiu R$
357,3 bilhões, novo recorde nacional. Houve estabilidade no trimestre e
avanço de 5% em relação ao mesmo período de 2024. O rendimento médio
real também seguiu em alta, com crescimento anual de 3,9%.
Na
comparação trimestral, apenas o grupamento de Informação, Comunicação e
Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas
registrou aumento, com alta de 3,9% (mais R$ 190).
Considerando o
período de agosto a outubro de 2024, houve avanço nos rendimentos de
segmentos como Agricultura (6,2%), Construção (5,4%), Alojamento e
alimentação (5,7%), Informação e comunicação (5,2%), Administração
pública e áreas correlatas (3,5%) e Serviços domésticos (5%).
Para
Beringuy, o nível elevado de ocupação e a estabilidade dos salários
explicam o resultado expressivo na massa de rendimentos. “A manutenção
do elevado contingente de trabalhadores, associado à estabilidade do
rendimento, permite os valores recordes da massa de rendimento”,
analisou.