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sábado, 8 de outubro de 2022

Vendas no comércio mostram estagnação em 2022, mostra IBGE


Agora, o setor registra crescimento de apenas 0,5% no ano e queda de -1,4% em 12 meses, de acordo com o instituto

7 de outubro de 2022, 22:18 h Atualizado em 7 de outubro de 2022, 22:58

www.brasil247.com - Comércio Comércio (Foto: REUTERS/Lucas Landau)

Rede Brasil Atual - As vendas no comércio varejista estagnaram (-0,1%) de julho para agosto, segundo o IBGE. Na comparação com igual mês de 2021, o volume cresceu 1,6%. Agora, o instituto registra 0,5% no ano e -1,4% em 12 meses.

Incluído o chamado comércio varejista ampliado (que inclui veículos, motos e peças, além de material de construção), o volume de vendas caiu 0,6% ante julho e 0,7% em relação a agosto do ano passado. Também acumula resultados negativos no ano (-0,8%) e em 12 meses (-2%).

No mês, cinco das oito atividades pesquisadas cresceram, com destaque para tecidos, vestuário e calçados (13%) e combustíveis/lubrificantes (3,6%). O segmento de artigos farmacêuticos e médicos variou -0,3%.

Na comparação com agosto do ano passado, as vendas de combustíveis e lubrificantes cresceram 30,2%. Esse setor tem alta de 10% no ano e 4,4% em 12 meses, reflexo da súbita política de redução de preços pela Petrobras. Já a atividade que inclui supermercados e alimentou variou 1,4% sobre agosto de 2021, 0,5% no ano e -0,4% em 12 meses.

Ainda no acumulado do ano, as vendas de móveis têm queda de 10% e as de eletrodomésticos, de 10,3%. No setor de veículos, motos e peças, o volume de vendas cai 1,4%. E recua 8,2% em material de construção. Já o segmento de tecidos, vestuário e calçados soma alta de 8,5% em 2022.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/vendas-no-comercio-mostram-estagnacao-em-2022-mostra-ibge

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Bolsonaro quase zera verba de programas alimentares para 2023


Os cortes variam de 95% a 97% da verba e atingirão principalmente pequenos agricultores e comunidades tradicionais, como quilombolas

27 de setembro de 2022, 10:20 h Atualizado em 27 de setembro de 2022, 10:20

www.brasil247.com - (Foto: Leonardo de França/Brasil de Fato)

247 - No Orçamento apresentado pelo governo Jair Bolsonaro (PL) para 2023, foram praticamente zerados os recursos para programas de assistência alimentar, segundo o UOL. "Ações importantes tiveram cortes que variam de 95% a 97% na verba prevista para o próximo ano, como o Alimenta Brasil. O aumento de verbas para esses programas passa a depender do interesse de repasse de parlamentares por meio de emendas ou de negociação antes da votação do Orçamento, que normalmente ocorre em dezembro", diz a reportagem.

Os atingidos pelos cortes serão principalmente pequenos agricultores e comunidades tradicionais, como quilombolas.

O Brasil tem atualmente mais de 30 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, mas Bolsonaro nega.

Apesar de sucatear o programa, Bolsonaro diz em seu programa eleitoral que, se reeleito, o Alimenta Brasil será uma das prioridades de seu governo.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/bolsonaro-quase-zera-verba-de-programas-alimentares-para-2023-9cfq3e2b

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Quando Lula cresce nas pesquisas os combustíveis baixam de preço


Petrobrás reduz em 6% preços do gás de cozinha a partir de sexta-feira

Redução de 6% equivale a uma diminuição média de 3,15 reais para cada botijão de 13 kg

22 de setembro de 2022, 15:01 h Atualizado em 22 de setembro de 2022, 15:32

www.brasil247.com - Botijão de 13 quilos de gás de cozinha Botijão de 13 quilos de gás de cozinha (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasi)

Reuters - A Petrobrás vai reduzir o preço do gás de cozinha (GLP) de 4,0265 reais para 3,7842 por quilo a partir de sexta-feira, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira.

A redução de 6% equivale a uma diminuição média de 3,15 reais para cada botijão de 13 kg, que passará a ser vendido às distribuidoras por 49,19 reais.

A petroleira informou, no comunicado, que a redução acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a sua prática de preços.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/petrobras-reduz-em-6-precos-do-gas-de-cozinha-a-partir-de-sexta-feira

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Uma informação histórica sobre os valores dos combustíveis no Brasil


No dia 12 de maio de 2016, quando a Dilma foi  tirada do governo, os preços dos combustíveis estavam assim:

A gasolina custava  $2.40, dois reais e quarenta centavos na bomba.

O óleo diesel $ 2.95, dois reis e noventa e cinco centavos.

O gás de cozinha $ 42,92, quarenta e dois reais e noventa e dois reais

terça-feira, 9 de agosto de 2022

4 anos sem aumento real: governo prevê salário mínimo em R$ 1.302 em 2023


Em julho deste ano, o salário mínimo deveria ter sido de R$ 6.388,55, ou 5,27 vezes o mínimo atual, de R$ 1.212, segundo o Dieese

8 de agosto de 2022, 19:31 h Atualizado em 8 de agosto de 2022, 20:10

www.brasil247.com - (Foto: ABr)

247, CUT - O governo Jair Bolsonaro (PL) vai propor um salário mínimo de R$ 1.302 para 2023, informou a Folha de S.Paulo. Com isso, não haverá aumento real pelo quarto ano seguido. Desde 2019, o atual governo tem optado por apenas recompor a variação do INPC (inflação).

Segundo a Folha, a nova previsão para o salário mínimo constará no envio da proposta de Orçamento para o ano que vem.

Salário mínimo segundo o Dieese

Em julho deste ano, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 6.388,55, ou 5,27 vezes o mínimo atual, de R$ 1.212, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A estimativa leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/4-anos-sem-aumento-real-governo-preve-salario-minimo-em-r-1-302-em-2023-cvupohw9

Percentual de famílias com dívidas a vencer atinge recorde de 78%


Alta nas duas faixas de renda ocorre depois de dois meses de queda

8 de agosto de 2022, 13:43 h Atualizado em 8 de agosto de 2022, 13:51

www.brasil247.com - (Foto: ABr)

Agência Brasil/EBC - O percentual de famílias com dívidas a vencer cresceu 0,7 ponto percentual em julho, atingindo a marca recorde de 78% dos lares brasileiros. O aumento em relação a julho de 2021 foi de 6,6 pontos percentuais. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada hoje (8) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O total de famílias com dívidas ou contas em atraso ficou em 29% em julho, ante 28,5% em junho deste ano e 25,6% em julho de 2021. Desses, 10,7% disseram não ter como pagar os compromissos assumidos, proporção 0,1 ponto percentual maior do que no mês anterior e 0,2 ponto percentual menor do que no mesmo período do ano anterior.

O aumento do endividamento foi de 0,5 ponto percentual entre as mulheres e de 1 ponto percentual entre os homens, ficando em 80,6% e 77,5% respectivamente. Entre as mulheres, a pesquisa aponta desaceleração no endividamento nos últimos meses, mas o incremento na comparação anual foi de 8,3 pontos percentuais, enquanto entre os homens subiu 6,3 pontos percentuais.

Por faixa de renda, a Peic aponta que as famílias na faixa acima de dez salários mínimos mensais contraíram mais 0,8 ponto percentual de dívidas em julho, chegando a 75% com dívidas. Na faixa com renda abaixo de dez salários mínimos, o endividamento cresceu 0,6 ponto percentual, atingindo 78,8%. Nas duas faixas, a taxa é recorde.

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Modalidades de endividamento

Por modalidade de endividamento, a Peic mostra queda de 1,2 ponto percentual no número de famílias que devem no cartão de crédito, a terceira queda seguida. Entre os que têm dívidas, 85,4% possuem dívidas no cartão de crédito. Em abril, a proporção havia chegado a 88,8%.

Na avaliação da CNC, a queda no cartão de crédito ocorreu pela busca por opções mais baratas de juros.

“Esse movimento de queda da proporção de endividados no cartão de crédito mostra que as famílias têm buscado alternativas de crédito mais baratas no contexto de juros elevados. Com isso, carnês de lojas e crédito pessoal foram as modalidades que avançaram no endividamento, neste início de semestre, representando 18,8% e 9,2% do total de famílias com dívidas, respectivamente”, diz a nota da confederação.

Inadimplência

O número de famílias com contas ou dívidas em atraso subiu 0,5 ponto percentual em julho, para 29%. A proporção é 3,4 pontos percentuais maior do que o apurado em julho de 2021. Já a proporção daquelas que não terão condições de saldar seus débitos ficou em 10,7%, percentual que se manteve praticamente estável no último ano.

“A alta dos indicadores de inadimplência, após moderação e queda entre abril, maio e junho, indica que as medidas extraordinárias de suporte à renda, como os saques extras do FGTS e a antecipação do 13º salário aos beneficiários do INSS, aparentemente tiveram efeito restrito ao segundo trimestre no pagamento de contas e/ou dívidas já atrasadas”, avalia a CNC.

De acordo com a confederação, o mercado de trabalho está absorvendo trabalhadores com menor nível de escolaridade e de maneira informal, o que aumenta a incerteza na gestão das finanças pessoais. Além disso, segundo a CNC, a inflação elevada achata os rendimentos e dificulta a organização do orçamento familiar.

Os dados da Peic são coletados em todas as capitais e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores. Os principais tipos de dívida levantados são cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnês, financiamento de carro e financiamento de casa.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/percentual-de-familias-com-dividas-a-vencer-atinge-recorde-de-78-tdhf03nk

Índice de endividados e com contas atrasadas bate novo recorde no país


Roberto Parizotti / Site do PT

O número de brasileiros endividados e com contas atrasadas não para de subir, numa clara demonstração da incapacidade de Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, de melhorar a vida dos trabalhadores.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada nesta segunda-feira (8), em julho passado 78% das famílias tinham dívidas e 29% estavam inadimplentes, ou seja, com contas atrasadas.

São os maiores índices já registrados na história da pesquisa, que começou a ser feita em 2010. Em nota, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, disse que esse resultado mostra que o governo não consegue apresentar soluções duradouras para a crise.

“A alta dos indicadores de inadimplência, após queda nos meses de abril, maio e junho, indica que as medidas extraordinárias de suporte à renda, como os saques extras do FGTS e a antecipação do 13º salário aos beneficiários do INSS, aparentemente tiveram efeito momentâneo no pagamento de contas ou dívidas já atrasadas, concentrado no segundo trimestre deste ano”, avaliou, segundo o site da Carta Capital.

O estudo traz outros dados que mostram como a população está achacada pela economia: 22% dos brasileiros estão com mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas e 10,7% das famílias dizem que não terão condições de pagar as contas atrasadas.

Cheque especial e empréstimos

Os dados da CNC são confirmados por outro estudo também divulgado nesta segunda, feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, 25% dos brasileiros não conseguem pagar todas as contas do mês.

Feito entre 23 e 26 de julho, o levantamento mostrou que 19% deixam alguma conta sem quitar e outros 6% recorrem a empréstimos, cheque especial ou pagam o mínimo do cartão de crédito (veja gráfico abaixo).

A pesquisa aponta ainda uma redução generalizada de gastos, segundo o site G1. Seis em cada dez brasileiros dizem ter reduzido suas despesas com lazer, e 58% deixaram de comprar produtos de uso pessoal, como roupas e sapatos.

Esse último dado aponta que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes conseguiram deixar o Brasil em um ciclo vicioso, no qual a renda do trabalhador cai cada vez mais, reduzindo o consumo e impedindo, assim, a retomada da economia.

PTNacional

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/indice-de-endividados-e-com-contas-atrasadas-bate-novo-recorde-no-pais/

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Pobreza bate recorde e atinge quase 20 milhões de brasileiros nas grandes metrópoles


A causa é o golpe de estado de 2016, que destruiu a renda dos brasileiros e precarizou o mercado de trabalho

8 de agosto de 2022, 05:31 h Atualizado em 8 de agosto de 2022, 05:32

www.brasil247.com - (Foto: Jorge Araujo/Fotos Publicas)

247 – O golpe de estado de 2016, que derrubou a ex-presidente Dilma Rousseff e aplicou um choque neoliberal, que precarizou o mercado de trabalho, destruiu a renda dos brasileiros e transferiu a riqueza do pré-sal para acionistas privados da Petrobrás, fez com que o Brasil atingisse 20 milhões de pobres nas grandes metrópoles. Tais políticas neoliberais, aplicadas por Michel Temer, foram mantidas por Jair Bolsonaro.

"Com o corte do auxílio emergencial, a disparada da inflação e a retomada insuficiente do mercado de trabalho, o número de pessoas em situação de pobreza saltou para 19,8 milhões nas metrópoles brasileiras em 2021. É o maior nível de uma série histórica de dez anos, iniciada em 2012, aponta o 9º Boletim Desigualdade nas Metrópoles. O estudo analisa estatísticas das 22 principais áreas metropolitanas do país. Ao chegar a 19,8 milhões, o número de pobres passou a representar 23,7% –quase um quarto– da população total dessas regiões. O percentual também é, com folga, o maior da série histórica. Até então, a porcentagem nunca havia alcançado 20%", informa o jornalista Leonardo Vieceli, na Folha de S. Paulo.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/pobreza-bate-recorde-e-atinge-quase-20-milhoes-de-brasileiros-nas-grandes-metropoles

Estudo do Dieese aponta que valor do salário mínimo previsto na Constituição seria R$ 6.388,55 em julho


O salário mínimo de julho seria mais de cinco vezes superior ao valor fixado pelo governo Bolsonaro

6 de agosto de 2022, 09:00 h Atualizado em 6 de agosto de 2022, 09:00

www.brasil247.com - (Foto: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil)

247 - Mensalmente o Dieese estima o valor que o salário mínimo deveria ter para cumprir as funções básicas previstas na Constituição, garantindo o sustento de uma família com quatro integrantes. No mês de julho este valor seria equivalente a R$ 6.388,55, ou seja, mais de cinco vezes superior ao valor fixado pelo governo Bolsonaro, de R$ 1212,00. Quem ganha o mínimo tem de fazer muita ginástica para sobreviver, muitos vivem ao relento, morando na rua, e não conseguem fazer três refeições por dia.

Em julho de 2022, indica reportagem no site da CTB, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 120 horas e 37 minutos, menor do que o registrado em junho, de 121 horas e 26 minutos. Em julho de 2021, a jornada necessária ficou em 113 horas e 19 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em julho de 2022, 59,27% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos, um sensível retrocesso em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o percentual ficou em 55,68%. O tempo médio de trabalho necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 120 horas e 37 minutos.

Desde o golpe de Estado de 2016, que em sua essência foi um golpe do capital contra o trabalho, o salário mínimo deixou de ter aumento real e, ao invés disto, vem sendo arrochado, sobretudo no governo Bolsonaro, que pôs fim à política de valorização do salário mínimo criada no governo Lula e conduziu a economia para a chamada estagflação.

Com a inflação na casa dos dois dígitos o arrocho dos salários é sentido diariamente pela classe trabalhadora com a erosão do poder de compra da moeda brasileira, o real. O patronato, que sempre teve horror a aumentos de salários, aproveita a inflação para lucrar ainda mais explorando quem depende de salário.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/estudo-do-dieese-aponta-que-valor-do-salario-minimo-previsto-na-constituicao-seria-r-6-388-55-em-julho

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Só piora: além de redução salarial, trabalhadores perdem direitos sociais


Site do PT

Salariômetro da Fipe revela deterioração no primeiro semestre. Quem ainda tem emprego abre mão de direitos para, pelo menos, repor a inflação nas negociações.

Comprimidos por desemprego, inflação e juros em dois dígitos, pela precarização e perda de rendimentos oriundos da reforma “trabalhista” de Michel Temer e pela ausência de políticas públicas de estímulo à geração de emprego e renda no deserto bolsonarista, trabalhadores e trabalhadoras estão abrindo mão de conquistas históricas da classe para, pelo menos, garantir a reposição inflacionária nas negociações coletivas.

LEIA MAIS: Com Bolsonaro, Brasil é vice campeão do desemprego entre os países do G20

O cenário do primeiro semestre deste ano, pintado pelo Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), é tema de reportagem da Folha de São Paulo. A pesquisa revela que parte considerável dos acordos ou convenções coletivas fechadas em 2022 excluíram direitos como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), abonos por aposentadoria/assiduidade, plano de saúde/odontológico e auxílio-creche.

“A presença dos adicionais diminuiu em 2022. Houve uma redução generalizada não no valor, mas na presença (desses benefícios)”, constata o professor sênior da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Salariômetro, Hélio Zylberstajn.

LEIA MAIS: Herança da reforma trabalhista: 32,5 milhões de empregos precários

Também não houve reajuste dos valores dos tíquetes. O vale-alimentação mensal se manteve em R$ 280 e o vale-refeição seguiu em R$ 22 por dia. A cesta básica subiu 22,35%, de R$ 170 para R$ 280 – ou 16,62% da cesta básica de alimentos de junho deste ano, calculada em R$ 1.251,44 pela pesquisa do Procon-SP/ Dieese.

A lógica, diz o professor, poderia muito bem sair da boca neoliberal de Paulo Guedes, o ministro-banqueiro de Jair Bolsonaro. “Como o poder de barganha dos trabalhadores não está forte, porque a inflação ainda é muito alta, não tem como pressionar”, explica Zylberstajn. “Para garantir a inflação, tem que abrir mão de alguma coisa.”

LEIA MAIS: Desde 2017, salários perderam um terço do poder de compra

Precarização e inflação roubaram renda da classe trabalhadora

O reajuste salarial mediano nos primeiros seis meses de 2022, aponta o Salariômetro, é de 10,6%, ante 6,2% do mesmo período de 2021. O piso salarial subiu, mas sequer supera a inflação. O valor médio (R$ 1.431) evoluiu 8,4% em relação ao de 2021 (R$ 1.320). Utilizado como parâmetro nas negociações salariais, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) é de 11,92%, nos 12 meses encerrados em junho.

A pífia recuperação salarial pode se transformar em retrocesso agudo em julho, alerta ainda Zylberstajn. Segundo ele, números parciais apontam que 70,3% das negociações no mês resultaram em reajustes menores do que a inflação, o que será confirmado no final do mês, com o fechamento dos dados.

A cada nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que se vê é a medíocre recuperação dos postos de trabalho ocorrendo às custas da precarização das vagas oferecidas e da queda da renda de trabalhadores e trabalhadoras.

LEIA MAIS: Trabalho no Brasil de Bolsonaro, só precarizado e com salário baixo

Das 4,6 milhões de vagas de trabalho criadas entre 2016 e 2022, afirma o economista Lucas Assis, da Tendências Consultoria, 76% são informais. “Essa geração de vagas deu-se pela criação de 7 milhões de vagas com rendimento mensal de até um salário mínimo e destruição de 2,4 milhões com rendimento superior a um salário mínimo”, explica Assis no portal Uol.

Há quatro anos seguidos o Brasil está entre os 10 piores países do mundo para se trabalhar, em uma lista de 148 países da Confederação Sindical Internacional (CSI). Em 2022, o Brasil de Bolsonaro se alinha a nações como Bangladesh, Filipinas e Miamar. A reforma “trabalhista” de Temer fez a negociação coletiva entrar em colapso no Brasil, com drástica redução de 45% no número de acordos coletivos celebrados, aponta a lista.

“A deterioração a gente percebe desde 2017, com a perda da qualidade do trabalho desde o processo que passamos com o golpe de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, com ataques fortes aos nossos direitos que haviam sido conquistados com muita luta, e que agora vêm sendo retirados com muita facilidade”, contou Rosana Fernandes, secretária-Adjunta de Combate ao Racismo da central sindical, durante o evento online de apresentação da pesquisa.

Da Redação da Agência PT, com informações da Folha de SP

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/so-piora-alem-de-reducao-salarial-trabalhadores-perdem-direitos-sociais/

Petrobrás lucra R$ 54,3 bilhões em três meses com política de preços que suga a renda dos brasileiros


Empresa está distribuindo praticamente todo o seu resultado, que causa inflação e pobreza, a seus acionistas

29 de julho de 2022, 05:16 h Atualizado em 29 de julho de 2022, 06:12

www.brasil247.com - Logo da Petrobras, em São Paulo 20/02/2018 Logo da Petrobras, em São Paulo 20/02/2018 (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Agência Brasil – A Petrobras atingiu lucro líquido de R$ 54,3 bilhões no segundo trimestre deste ano. O resultado foi anunciado nesta quinta-feira (28), creditado à forte geração de caixa, refletindo o desempenho operacional e o aumento do preço de mercado do petróleo.

O diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Rodrigo Araujo Alves, ressaltou que os resultados mostram a resiliência e a solidez da companhia, que é capaz de gerar resultados sustentáveis, seguindo com sua trajetória de criação de valor.

“Em linha com nosso compromisso de distribuir nossos resultados, aprovamos remuneração aos acionistas de R$ 6,73 por ação ordinária e preferencial. Adicionalmente, recolhemos o total de R$ 77,3 bilhões em tributos e participações governamentais no segundo trimestre. No ano foram cerca de R$ 147 bilhões, um aumento de 92% na comparação com primeiro semestre do ano passado”, disse Alves.

De acordo com a Petrobras, o lucro líquido no trimestre refletiu principalmente a valorização do preço do petróleo tipo brent no período. O resultado também foi impactado pelo ganho de capital de R$ 14,2 bilhões referente ao acordo de coparticipação em Sépia e Atapu.

“Desconsiderados os itens especiais, o lucro líquido recorrente no trimestre foi de R$ 45 bilhões. Esses fatores explicam também o crescimento do EBITDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, tradução livre do inglês) recorrente para R$ 99,3 bilhões (+27% comparado ao primeiro trimestre de 2022) e do fluxo de caixa livre para R$ 63,4 bilhões (+57% comparado ao primeiro trimestre de 2022)”, destacou a estatal.

Pré-sal

O avanço da produção do petróleo do pré-sal, aumentando a participação do segmento de exploração e produção de petróleo e gás (E&P) nos resultados da companhia, juntamente com a gestão de portfólio e os esforços para melhoria de eficiência, faz com que seus resultados estejam mais expostos, positivamente, a cenários favoráveis de preços de petróleo.

“A melhora percebida nos resultados, medidos pelo retorno sobre o capital, estão aderentes aos riscos envolvidos nesse segmento de negócio (E&P) e aproxima a rentabilidade da Petrobras - historicamente inferior - da média de seus pares”, explicou a companhia.

Dividendos

A Petrobras ressaltou que as atividades geraram retorno significativo para a sociedade, por meio de dividendos e do pagamento de tributos. Somente no primeiro semestre de 2022, a Petrobras já pagou R$ 179 bilhões aos cofres públicos, sendo R$ 147 bilhões entre tributos e participações governamentais e cerca de R$ 32 bilhões de dividendos para a União, pagos até julho. Os pagamentos de dividendos e de tributos para a administração pública, quando somados, superam o valor do lucro reportado no período.

Com a aprovação de nova parcela de dividendos anunciada nestas quinta-feira, o valor da remuneração do seu acionista majoritário - a União - somará R$ 64,1 bilhões este ano.

“O dividendo proposto está alinhado à Política de Remuneração aos Acionistas, que prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Petrobras poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e as aquisições de ativos imobilizados e intangíveis (investimentos). Além disso, a Política também prevê a possibilidade de pagamento de dividendos extraordinários, desde que a sustentabilidade financeira da companhia seja preservada”, frisou a estatal.

A íntegra do relatório de desempenho financeiro referente ao segundo trimestre pode ser acessada na página da companhia na internet.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/petrobras-lucra-r-54-3-bilhoes-em-tres-meses-com-politica-de-precos-que-suga-a-renda-dos-brasileiros

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Pobreza e inflação: 350 mil famílias entram na fila do Auxílio Brasil cada mês


Além disso, a quantidade de famílias que buscam fazer o cadastro para conseguir obter o benefício, a chamada "fila da fila", vem aumentando

22 de julho de 2022, 07:21 h Atualizado em 22 de julho de 2022, 07:35

www.brasil247.com - (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

247 - O aumento da pobreza e da inflação no Brasil vem levando cada vez mais famílias a entrarem na fila de espera do Auxílio Brasil. Desde abril deste ano, 350 mil famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza são registradas no programa por mês e aguardam para receber o benefício.

Entre janeiro e maio, aproximadamente 2,5 milhões de famílias se cadastraram no Cadastro Único, que funciona como porta de entrada para programas sociais.

A fila do Auxílio Brasil foi zerada nos meses de janeiro e fevereiro. No entanto, com o agravamento da crise e a ampliação do orçamento do programa, os recursos não foram suficiente para todos, o que levou a uma fila de cerca de 1,1 milhão em junho.

Além disso, a quantidade de famílias que buscam fazer o cadastro para conseguir obter o benefício, a chamada "fila da fila", vem aumentando.

Agora, a intenção do Ministério da Cidadania é tentar manter a fila zerada até o fim do ano, mesmo que seja preciso obter ainda mais recursos para o programa. (Com informações da Folha de S. Paulo).

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/pobreza-e-inflacao-350-mil-familias-entram-na-fila-do-auxilio-brasil-cada-mes

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Humilhação: brasileiros vão ao mercado comprar sobras de alimentos


Twitter/Reprodução

Produtos como feijão quebrado, “pontas de frios”, soro de leite e carcaça e pele de frango se tornam comuns nos supermercados;

O absurdo preço dos alimentos tem roubado a dignidade dos brasileiros na hora de se alimentar. Matéria publicada nesta quarta-feira (13) pela Folha de S. Paulo mostra que, diante da incapacidade das pessoas de comprar produtos como leite, frios, feijão e frango, supermercados estão vendendo alternativas com menor valor nutricional ou até mesmo sobras.

No Capão Redondo, zona sul de São Paulo, por exemplo, um mercado está vendendo o “feijão fora do tipo”, composto por 70% de grãos inteiros e 30% de grãos partidos. E, mesmo assim, o produto sai caro: R$ 8,48 o quilo, apenas R$ 1,50 a menos que o pacote tradicional. Na mesma loja, bandejas com “pontas de frios”, ou seja, pedaços de restos de queijo, são oferecidas na promoção.

Colocar à venda restos de comida, que geralmente iam para o lixo, tem se tornado cada vez mais comum. “Aqui perto de casa que já conhecem a gente, pegamos restos de carcaça, de frango, de gordura, quando dão, mas tá muito difícil de dar também, porque agora tudo eles colocam para vender”, contou à Folha Josefa da Silva, moradora de Osasco.

O que ela diz pode ser facilmente comprovado nas prateleiras dos supermercados, onde se tornou comum ver carcaça e pele de frango à venda. Assim, até esses produtos ficam inacessíveis para muitos trabalhadores. “Para te falar a verdade, nem carcaça tô podendo comprar, porque não tá sobrando nem para isso”, disse Ionara Jesus, moradora da cidade de São Paulo.

Foto: Cleberson Santos/Agência Mural

Soro de leite

Cada vez mais caro, o leite é outro produto que tem sido substituído por uma alternativa nem um pouco adequada. Em Guarulhos (SP), onde o litro já chega a R$ 10, um supermercado tem oferecido o soro de leite, que nada mais é que a sobra do leite utilizado na produção de queijos e sai por R$ 7.

Especialistas explicam que, além de o gosto não ser o mesmo, o valor nutricional também é alterado. “Como o soro de leite é um subproduto, em comparação com o leite ele acaba tendo menos proteína, menos gorduras totais e menos cálcio”, explicou ao jornal a nutricionista Ana Cláudia Mazzonetto.

Em entrevista recente ao site do PT, o deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) alertou que a falta de leite na casa das famílias brasileiras deve gerar uma onda de desnutrição no país.

Já especialistas ouvidos pela Folha alertam que a substituição de produtos tradicionais por alternativas menos saudáveis trará também obesidade, hipertensão, diabetes mellitus e dislipidemia em maior porcentagem.

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/humilhacao-brasileiros-vao-ao-mercado-comprar-sobras-de-alimentos/

quinta-feira, 14 de julho de 2022

97% da população economicamente ativa devem R$ 1 trilhão


Site do PT

Mais 500 mil pessoas não conseguiram pagar dívidas entre abril e maio, somando 66,6 milhões de CPFs negativados. Brasileiros devem R$ 1 trilhão em contas vencidas;

A tragédia socioeconômica fomentada por Jair Bolsonaro e seu ministro-banqueiro Paulo Guedes desde 2019 levou cidadãos e famílias ao maior patamar de endividamento já registrado no país. Apenas em contas vencidas, 93,5 milhões de brasileiros e brasileiras, ou 97% da população economicamente ativa, deviam em abril R$ 1 trilhão, incluídos juros e mora. E a situação só deverá atingir o ponto crítico em 2023.

Os números foram compilados pela holding MGC, especializada em recuperação de crédito, para o jornal Valor Econômico. O levantamento combina dados da Serasa Experian, que consideram apenas dívidas vencidas em até cinco anos. Em torno de 27,5 milhões de CPFs já registram atrasos acima desse teto e estão fora das estimativas.

O sócio-diretor da MGC, Eduardo Martins, disse ao jornal que 2022 já bateu o recorde de volume de carteiras (de dívidas inadimplentes) negociadas no mercado. “Em apenas meio ano, já passamos do volume inteiro de 2021”, surpreende-se. O segundo semestre, avalia o especialista, tende a manter o ritmo de crescimento, com “a chegada ao mercado de carteiras (de crédito com atraso) muitos grandes”.

De fato, o levantamento divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Serasa revela que o recorde batido em abril – 66,1 milhões de CPFs negativados – já foi superado em maio, com mais 500 mil CPFs no triste rol da inadimplência em apenas um mês. Agora, são 66,6 milhões de pessoas, ou 31% da população, na “lista suja” do Serasa, fato inédito desde o início da série histórica, em 2016.

Na comparação com maio de 2021, são quatro milhões de pessoas a mais com o nome sujo no último ano do desgoverno Bolsonaro. Desde janeiro, o número de negativados aumentou em 1,8 milhão de pessoas.

“O número nunca tinha passado dos 66 milhões e ocorreu pela primeira vez em abril”, comenta o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi. Ele diz que o ciclo de inadimplência se acentuou a partir do início do quarto trimestre de 2021, quando a inflação passou ao patamar de dois dígitos.

“A inflação reduz a capacidade de pagamento e isso faz com que pessoas que estavam pagando normalmente não consigam mais”, ressalta Rabi, já projetando novos recordes nos próximos meses. “A combinação de inflação e juros altos está provocando um ciclo de aumento da inadimplência que não se encerrou”, destaca o economista. Essa elevação, avalia, “vai continuar ao longo do próximo trimestre ou até o fim do ano”.

Pico da inadimplência pode ocorrer só em 2023

Michel Viriato, professor de Finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), concorda com a avaliação do economista. Segundo ele, “o pico da inadimplência ainda não chegou”. Ele explica que o auge dos atrasos em pagamentos de dívidas costuma ocorrer no “vale” do crescimento, quando a economia atinge o ponto mais fraco.

“Temos uma economia ainda em crescimento no segundo semestre e uma melhora de curto prazo, porque o governo despejará muito dinheiro na economia por meio da PEC que vai bonificar algumas classes”, enumera Viriato. “A gente talvez visse o vale do crescimento em meados deste ano, mas provavelmente vai ficar para o próximo.”

Quando o vale chegar, diz o professor, “é bem provável que tenhamos um pico de inadimplência maior do que na recessão anterior”. A pressão da alta de juros, prevê, deve continuar, com o Banco Central (BC) mantendo os juros em dois dígitos até o fim de 2023. “Vamos ver a inflação cair nos próximos meses como reflexo da redução do ICMS (sobre combustíveis), mas o BC terá de manter a Selic elevada por mais tempo, porque estamos empurrando inflação para o ano que vem”, conclui.

Puxado por preços mais altos da alimentação fora de casa e dos planos de saúde, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% em junho. O resultado mostra uma aceleração do índice oficial de inflação do país, pois o avanço foi menos intenso em maio (0,47%). A variação de 0,67% é a maior para junho desde 2018, quando o índice subiu 1,26%, influenciado pela greve dos caminhoneiros.

Para alegadamente combater a alta dos preços, o Conselho de Política Monetária (Copom) do BC promove desde o início de 2021 uma série de aumentos na taxa básica de juros (Selic), que saiu da mínima histórica de 2% ao ano para os atuais 13,25%. Ao aumento do custo do dinheiro se soma a taxa de desemprego, também de dois dígitos, e rendimentos cada vez mais baixos.

O economista da Serasa avalia que a crise atual não tem raízes no superendividamento, mas nessa combinação de perda de poder aquisitivo e encarecimento do crédito. “No início da pandemia, os estímulos ajudaram a fazer com que o número de inadimplentes caísse 2,4 milhões entre janeiro e dezembro de 2020,” afirma. “O auxílio emergencial e os juros historicamente baixos, que facilitaram renegociações, fizeram a diferença.”

Mas quando a inflação superou os dois dígitos, em outubro de 2021, o pêndulo se inverteu. “E não foi por superendividamento. Não estamos vivendo uma expansão frenética do crédito”, ressalta Rabi. “É uma questão de perda do poder aquisitivo, além de encarecimento e restrição do crédito, com as instituições sendo muito mais cautelosas na concessão.”

Da Redação da Agência PT, com informações do Valor Econômico

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/inferno-de-bolsonaro-97-da-populacao-economicamente-ativa-devem-r-1-trilhao/

No Brasil de Guedes e Bolsonaro, a inadimplência castiga os mais velhos


Foto: Roberval Rocha / Site do PT

O tsunami de endividamento gerado por Jair Bolsonaro e seu ministro-banqueiro Paulo Guedes fez 751.745 mil pessoas com mais de 60 anos – boa parte, pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – tornarem-se inadimplentes entre 2021 e 2022. Dados do Serasa de abril deste ano revelam que o atual patamar recorde de inadimplência, se atingiu todas as faixas etárias, entre devedores com mais de 60 anos cresceu 7% em 12 meses.

Antes 10,7 milhões, agora são 11,4 milhões o número de pessoas com mais de 60 anos entre os 66,1 milhões de endividados registrados pelo Serasa em abril, recorde da série histórica iniciada em 2016. Antes, o pico do endividamento havia sido atingido em abril de 2020, com 65,9 milhões de devedores.

À Folha de São Paulo, o economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi, afirma que a inflação de Bolsonaro/Guedes e a consequente alta dos juros estão na origem desse fenômeno. “Basicamente é a inflação o principal fator. Foi justamente quando a inflação superou os 10% que a inadimplência começou a subir, em outubro de 2021”, explica.

“Inflação de dois dígitos você não consegue acompanhar, os salários não acompanham, o reajuste previdenciário também”, prossegue Rabi. “A inflação está correndo na frente do reajuste, que tem como base os 12 meses anteriores. Também depende muito da cesta de consumo, e o pessoal mais idoso tem remédio, plano de saúde”, enumera.

O economista afirma ainda que as seguidas altas da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) impulsionam a inadimplência porque encarecem as dívidas. “Hoje o brasileiro deve, em média, para quatro diferentes instituições. Precisa renegociar, pleitear desconto, ampliar o número das parcelas que caibam no bolso”, ensina Rabi.

LEIA MAIS: Mais um ataque às famílias: Planos de saúde têm maior aumento da história

Entre o dia 25 de abril, quando começou a ser liberado o adiantamento da primeira parcela do 13º salário para aposentados e pensionistas, e 12 de maio, mais de 37 mil pessoas em todo o país com mais de 60 anos fecharam acordos de dívidas, informa a plataforma Serasa Limpa Nome.

Nove em dez pessoas com mais de 60 contribuem para o sustento dos lares

Outra pesquisa, feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offer Wise Pesquisas, mostra que 91% dos brasileiros com mais de 60 anos contribuem financeiramente para o sustento da casa. Os dados mostram que 52% deles são os principais responsáveis pelas contas atualmente, um aumento de 9 pontos percentuais em relação a 2018.

O levantamento também revela que 46% dos idosos exercem alguma atividade profissional, um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2018. Em média, esses idosos pretendem trabalhar até os 74 anos. A pesquisa mostra que 35% desses idosos atuam como autônomos ou profissionais liberais, enquanto 19% trabalham de maneira informal (sobretudo nas classes C, D e E) e 15% são servidores públicos.

Ainda conforme a pesquisa, metade (50%) dos entrevistados relatou que tem pelo menos um desempregado em sua casa. E a maioria (63%) afirmou que conhece alguém que perdeu o emprego ou fechou o negócio na pandemia. “Há muitos casos em que a renda do aposentado é a única maneira para sustentar o lar de uma família que perdeu emprego, principalmente nesse momento de crise e de aumento do desemprego”, diz o presidente da CNDL, José César da Costa.

Além de sustentar suas famílias, a renda dos aposentados é determinante na vida econômica da maioria dos pequenos municípios brasileiros. Neles, os benefícios urbanos e rurais pagos pelo INSS são responsáveis por receitas maiores do que a arrecadação com impostos como ISS e IPTU e repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Dados levantados pela assessoria legislativa da Bancada do PT na Câmara em 2019 revelaram que os benefícios exercem influência direta no consumo das famílias. Isso gera impacto na arrecadação, nas economias locais e nos serviços públicos municipais, especialmente das pequenas cidades.

Conforme o estudo, baseado em dados do Tesouro Nacional, do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro e do INSS, os benefícios da Previdência rural são maiores do que a soma de ISS e IPTU em 88% dos municípios do país, equivalem a 129% do FPM e a cerca de 100% da soma do ISS com o IPTU. Também são maiores do que o FPM em 49% dos municípios do país.

Os benefícios pagos pelo INSS aos trabalhadores urbanos e rurais e também os assistenciais, como auxílio-doença, são maiores do que a soma do IPTU, ISS e FPM em 74% dos municípios. Mesmo se contabilizados apenas os benefícios assistenciais, os valores pagos pelo INSS são superiores à soma do IPTU e do ISS em todos os estados do Norte e Nordeste. Já o BPC é maior que a soma do ISS e IPTU em 72% dos municípios.

Bancada do PT é contra MP que aumenta limite do consignado

Na última quarta-feira (29), a bancada do PT na Câmara se posicionou contrariamente à Medida Provisória (MP) 1106/22, que aumenta o limite de crédito consignado para a maioria dos assalariados brasileiros e estende a modalidade de empréstimo a quem recebe BPC, Renda Mensal Vitalícia (RMC) e Auxílio Brasil.

O líder do PT, deputado Reginaldo Lopes (MG), liberou o voto da Minoria, mas criticou a proposta do desgoverno Bolsonaro. “Isso é uma vergonha. Essa é uma verdadeira contabilidade criativa que este governo quer fazer no estado de emergência eleitoral em que se encontra Bolsonaro”, afirmou.

“O sistema financeiro, que já chegou ao teto da classe média, agora se lança sobre os mais pobres, provocando um excessivo endividamento das famílias”, denunciou o deputado Merlong Solano (PT-PI). “O nosso partido é contra a transferência de recursos de programas sociais para o sistema financeiro, como acontece com a inclusão do BPC e do auxílio emergencial dentro do crédito consignado.”

O texto, que ainda precisa ser apreciado pelo Senado, amplia de 35% para 40% a margem consignável dos empregados celetistas, servidores públicos ativos e inativos, pensionistas, militares e empregados públicos.

A MP segue para o Senado e tem que ser votada até o próximo dia 15. Especialistas afirmam que a medida aumenta o risco de endividamento na parcela mais pobre da população. Hoje, 4.781.868 pessoas recebem o BPC. Desse total, 2.607.440 são pessoas portadoras de deficiência, e 2.174.428 são idosas.

“O risco de endividamento é muito grande, mas temos que considerar que na situação de miséria de grande parte do povo, toda e qualquer facilidade de empréstimo é visto com simpatia. Assim como toda a ajuda financeira que ajude a combater a fome e a miséria”, pontua o senador Paulo Paim (PT-RS).

Paim é autor do Projeto de Lei PL 3.657, de 2020, que estabelece o 14º salário para aposentados e pensionistas do INSS. “O 14º salário representa dinheiro novo para o comércio local. Gera emprego e renda, recolhe imposto e melhora a qualidade de vida.”

O projeto já avançou em duas comissões da Câmara — a de Seguridade Social e a de Finanças e Tributação — e agora está na de Constituição e Justiça (CCJ). Caso seja aprovada no colegiado, o projeto segue direto ao Senado, porque a tramitação tem caráter conclusivo.

PTNacional, com informações de agências

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/no-brasil-de-guedes-e-bolsonaro-a-inadimplencia-castiga-os-mais-velhos/

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Bolsocaro: mercados vendem 'feijão partido', restos de frios e carcaça e pele de frango


No Brasil de Bolsonaro, nem mesmo o leite está garantido. Famílias têm trocado o item por soro de leite e misturas condensadas

13 de julho de 2022, 07:26 h Atualizado em 13 de julho de 2022, 09:55

www.brasil247.com - (Foto: Reprodução/Twitter/@flaviocostaf)

247 - Com inflação alta e brasileiros perdendo renda, retrato fiel do que é o governo Jair Bolsonaro (PL), supermercados nas periferias de São Paulo estão vendendo produtos que antes nem eram comercializados, como carcaça e pele de frango, relata a Folha de S. Paulo.

No Capão Redondo, por exemplo, é vendido ao lado do feijão comum o chamado "feijão fora do tipo". Este é composto por 70% de grãos inteiros e 30% de feijão bandinha [partido], de acordo com o site da marca Solito Alimentos. A venda do produto é autorizada desde que esteja identificado, "cumprindo as exigências de marcação e rotulagem". O "feijão fora do tipo" custa R$ 8,48, enquanto o carioca tradicional é vendido a R$ 9,98.

Também estão sendo comercializadas pontas de frios, pedaços de restos de queijo, com preços promocionais. No Grajaú, mercados e açougues comercializam carcaça e pele de frango, embaladas em sacos plásticos e bandejas.

No Brasil de Bolsonaro, os cidadãos não conseguem nem mesmo consumir leite, vendido a R$ 8 ou R$ 10. Soro de leite e misturas condensadas têm sido usadas como substitutas. "A qualidade não é a mesma, e honestamente não gosto de consumi-los, porém necessito levar algum leite para casa", diz uma consumidora. "Troco os produtos senão não dá para comprar. Diariamente os valores aumentam nos supermercados. É impossível manter a mesma qualidade de vida com a situação atual", afirma a assistente administrativa Patrícia Ribeiro, 38.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/bolsocaro-mercados-vendem-feijao-partido-restos-de-frios-e-carcaca-e-pele-de-frango

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Bolsonaro é o responsável pelo aumento da fome no Brasil; 61 milhões não têm o que comer


Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Deputado Vicentinho. Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados

Sessenta e um milhões de pessoas neste Brasil não sabem o que ou se vão comer amanhã. A frase foi pronunciada com indignação pelo deputado Vicentinho (PT-SP), nesta quarta-feira (6), na tribuna da Câmara. Ele citou dados do relatório do Mapa da Fome, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado hoje. “O Brasil voltou ao Mapa da Fome. Olha que coisa grave num País que é celeiro do mundo, que produz alimento para o mundo, o País do agronegócio, que exporta commodities, exporta alimento com seu povo passando fome. Esse é o nosso Brasil”, lamentou.

A pesquisa da ONU mostra que o número de brasileiros que lidou com algum tipo de insegurança alimentar foi de 61,3 milhões – praticamente três em cada dez habitantes do País, que tem uma população estimada em 213,3 milhões. Desse total, 15,4 milhões enfrentaram uma insegurança alimentar grave. O relatório revela ainda que o número de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo subiu para 828 milhões em 2021, uma alta de cerca de 46 milhões desde 2020 e 150 milhões desde o início da pandemia de Covid-19.

Vicentinho disse que foi à capital paulista, recentemente, e contatou em conversas com entidades sociais que há 35 mil pessoas morando nas ruas de São Paulo. “O Brasil é o País em que os trabalhadores constroem casas mas moram em favela, produzem alimentos mas passam fome, geram riquezas, mas estão na miséria. Não é culpa de Deus. O criminoso governo Bolsonaro é de um homem, de um presidente sem nenhum tipo de compaixão, vide o episódio que vai ficar para a história, lamentavelmente, do combate à pandemia da Covid-19”, frisou.

Como exemplo da crueldade do governo Bolsonaro, Vicentinho ainda citou os projetos aprovados pela base do governo para retirar direitos da classe trabalhadora, “empobrecendo o nosso povo, descartando o trabalhador, homem e mulher”.

Então, afirmou Vicentinho, “não é culpa de Deus o que está acontecendo neste País. O responsável é Bolsonaro e o seu grupo”, afirmou. Ele acrescentou que a Câmara tem responsabilidade, e precisa agir para melhorar a situação dessas pessoas que estão passando fome. “São 61 milhões de pessoas e nós não vamos nos comportar, nem ficar quietos diante desse projeto eleitoreiro apresentado pelo governo Bolsonaro, através da PEC 1, do Estado de emergência, que permite ao governo ampliar benefícios sociais que não seriam autorizados em ano eleitoral. Temos que ter políticas sociais profundas”, defendeu.

Brasil no Mapa da Fome

Deputado Padre João. Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados

O deputado Padre João (PT-MG) também usou a tribuna para falar do relatório do Mapa da Fome, divulgado pela FAO. “É muito triste ver que o Brasil volta para o Mapa da Fome. E não é culpa de pandemia, não é culpa de guerra, porque, em 2020, o Brasil já estava ladeira abaixo no desmonte das políticas e dos programas sociais. Na verdade, desde o golpe de 2016 que os trabalhadores, as trabalhadoras, os quilombolas, os indígenas, os vazanteiros, os ribeirinhos, os geraizeiros, os pescadores vêm sofrendo”.

O Brasil, afirmou Padre João, volta para o Mapa da Fome graças ao governo Bolsonaro, “que tira dinheiro das políticas e dos programas para passar para o Centrão e para a sua base de sustentação. Ele despeja dinheiro nos municípios, através da emenda do relator do orçamento, e tira dinheiro das políticas e dos programas construídos pelo povo, construídos pelas conferências municipais, estaduais, e no âmbito federal, seja de saúde, seja da assistência, seja da segurança alimentar”, denunciou.

Então, reiterou Padre João, a culpa da fome no Brasil é do Bolsonaro. “Do presidente covarde, que depois de assinar a sua posse, no dia 1º de janeiro de 2019, assinou ato para destituir o Consea (Conselho de Segurança Alimentar Nutricional Sustentável)”. O deputado citou que ao acabar com o Consea, Bolsonaro desmontou o Sistema de Segurança Alimentar Nutricional (Sisan).

“A culpa é do Bolsonaro, covarde, cruel, que voltou com o Brasil para o Mapa da Fome, porque acabou com o Consea, que era um conselho que tinha mais a cara do povo brasileiro. Agora vem com esses R$ 200 a mais no Auxílio Brasil, de forma desesperada, para tentar levar a eleição para o segundo turno, porque já sabe que vai perder no primeiro turno. Essa é uma tática do golpe que está em curso, ou tentativa de golpe”, denunciou.

O povo não é bobo

Na avaliação do deputado Padre João, o povo não é bobo. Não vai se deixar iludir por mais R$ 200, que tem um prazo de validade até o final das eleições. “Não há nenhuma garantia na Lei de Diretrizes Orçamentárias, nenhuma perspectiva de nós colocarmos esse valor no orçamento para o ano de 2023. Essa é uma proposta válida somente até o final das eleições. Isso é golpe. Mas o povo não é bobo. Quem vai dar um basta nesse desmonte do Estado é o próprio povo”, afirmou.

Dados da ONU

O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, que engloba o período de 2019 a 2021, divulgado nesta quarta-feira (6) pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), revela que somente em 2021, cerca de 828 milhões de pessoas sofreram com a falta de alimentos. De acordo com a organização, os impactos econômicos da pandemia foram fatores que contribuíram fortemente com o cenário.

A publicação da ONU mostra que o número de pessoas que lidou com algum tipo de insegurança alimentar no Brasil foi de 61,3 milhões. Desse total, 15,4 milhões enfrentaram uma insegurança alimentar grave.

Os últimos números da instituição revelam uma piora alarmante da fome no Brasil. Entre 2014 e 2016, a insegurança alimentar atingiu 37,5 milhões de pessoas – 3,9 milhões estavam na condição grave.

Segundo a FAO, as definições para a insegurança alimentar são as seguintes:

Insegurança moderada: as pessoas não tinham certeza sobre a capacidade de conseguir comida e, em algum momento, tiveram de reduzir a qualidade e quantidade de alimentos.

Insegurança grave: as pessoas que ficaram sem comida e passaram fome e chegaram a ficar sem comida por um dia ou mais.

Vânia Rodrigues, com agências

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/bolsonaro-e-o-responsavel-pelo-aumento-da-fome-no-brasil-61-milhoes-nao-tem-o-que-comer/

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Dez milhões de pessoas tornaram-se pobres em dois anos de Bolsonaro


Foto: Site do PT

A catastrófica condução socioeconômica do desgoverno Bolsonaro fez quase dez milhões de pessoas cruzarem para baixo a linha da pobreza no Brasil entre 2019 e 2021. “Foram 9,6 milhões de pessoas que cruzaram a linha. É quase a população de Portugal”, assusta-se o diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), Marcelo Neri.

“Os maiores nível e incremento da pobreza na pandemia são robustos. Eles pintam o mapa da pobreza brasileiro em tons mais fortes de tinta fresca”, afirma o pesquisador na apresentação do Mapa da Nova Pobreza. Segundo ele, “a pobreza nunca esteve tão alta no país quanto no ano passado, desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, em 2012”.

Divulgado nesta quarta-feira (29), o estudo coordenado por Neri revela que o contingente de pessoas com renda domiciliar per capita de até R$ 497 mensais atingiu 62,9 milhões de brasileiros em 2021. São 29,6%, ou quase um terço da população total de brasileiros, tentando sobreviver com menos de meio salário mínimo a cada mês.

“A pobreza nunca esteve tão alta no país quanto no ano passado, desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, em 2012”, segundo o diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), Marcelo Neri.

“Demonstramos neste trabalho que 2021 é ponto de máxima pobreza dessas séries anuais para uma variedade de coletas amostrais, conceitos de renda, indicadores e linhas de pobreza testados”, explica o economista. Foram analisados dados de pobreza entre os 146 estratos geográficos nacionais e todas as Unidades da Federação.

A pesquisa avaliou o nível e a evolução espacial da pobreza durante os últimos anos com base em microdados da Pnad Contínua Anual, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Santa Catarina (10,16%) foi o estado com a menor taxa de pobreza registrada, e o Maranhão (57,90%), com a maior.

“Aquele com maior pobreza em 2021 é o Litoral e Baixada Maranhense, com 72,59%. Já a menor está no município de Florianópolis, com 5,7%. Uma relação de 12,7 para um, refletindo a conhecida desigualdade geográfica brasileira”, conclui Neri.

Montanha-russa de ascensão e decadência em três anos

Em meados de junho, a FGV Social publicou outro estudo (A Montanha-Russa da Pobreza), revelando que a mudança da proporção de pobres se acelerou entre 2020 e 2021. De um ano para outro, o salto foi de 42,11%, correspondendo a 7,2 milhões de novos pobres em relação a 2020 e 3,6 milhões de novos pobres em relação ao pré-pandemia.

“Em termos da última fotografia anual da pobreza, 10,8% da população estava abaixo da linha de pobreza de R$ 210 per capita em 2021, ou cerca de 23 milhões de pessoas. Em termos relativos ou absolutos, é o nível mais alto da série histórica”, afirma Neri na apresentação. “Esta linha, embora baixa para suprir necessidades básicas, é usada como critério de elegibilidade a algum benefício pelo Auxílio Brasil.”

Brasil ganha 7,2 milhões de miseráveis em apenas um ano

Neri diz que “os brasileiros mais pobres têm de fato vivido uma montanha-russa nos três últimos anos”. Conforme o pesquisador, a renda mensal dos 10% mais pobres já vinha em queda antes da chegada da covid-19, despencando a menos da metade no início do isolamento social (R$ 114 em novembro de 2019 a R$ 52 em março de 2020).

A renda do grupo foi mais do que quadruplicada até o pico histórico em agosto de 2020 (R$ 215), que Neri considera “a fase mais generosa do Auxílio Emergencial”. Mas daquele pico, o valor desabou novamente, ficando 15,8% abaixo do nível pré-pandemia (R$ 96) em novembro de 2021.

“Este último valor projeta tendência negativa, pois incorpora os valores nominais fixados do novo Auxílio Brasil face o cenário prospectivo de inflação alta, especialmente para baixa renda”, ressalta o pesquisador. “Além de prosperidade e igualdade, estabilidade é um atributo fundamental para o bem estar social. Tal como as duas primeiras, ela se encontra em falta no caso brasileiro”, finaliza.

Golpe e Bolsonaro destruíram conquistas da população

O diretor do FGV Social coordenou um estudo apresentado em 2008 sobre a “nova classe média”. A pesquisa, hoje clássica, abordou a parte da população anteriormente classificada como classe de renda D que, na segunda metade da década de 2000, ascendeu à classe de renda C.

Entre 2003 e 2008, o número de brasileiros estatisticamente considerados como pobres se reduziu em três milhões. Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, mais de 42 milhões de brasileiros ascenderam à nova classe média até 2014.

O consumo dessa classe que finalmente ascendera socialmente injetou anualmente cerca de R$ 1,1 trilhão na economia brasileira, ajudando o país a minimizar os impactos da crise internacional de 2008-2011. Em 2014, com pleno emprego, alta taxa de formalização do trabalho e 92% dos reajustes de data-base superiores à inflação, a classe C brasileira, isoladamente, tornou-se o 18º maior mercado de consumo do mundo.

Classe média perde conquistas garantidas nos governos do PT

Após a reeleição de Dilma Rousseff, a crise promovida pelos derrotados em 2014 fez com que seis milhões de brasileiros deixassem essa faixa de renda entre 2015 e 2018. Em 2014, as pessoas que viviam na pobreza eram 9,8% da população, menor índice da série histórica. Pelos cálculos de Marcelo Neri, mesmo que o Brasil crescesse, em média, 2,5% ao ano, só voltaria a ostentar índices de pobreza semelhantes a 2014 em 2030.

PTNacional, com informações da FGV

Fonte: http://ptnacamara.org.br/site/dez-milhoes-de-pessoas-tornaram-se-pobres-em-dois-anos-de-bolsonaro/

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Auxílio Brasil tem fila de 2,78 milhões de famílias para acessarem o benefício


Entre março e abril, a fila mais do que dobrou, com um aumento de 116%

19 de junho de 2022, 15:05 h Atualizado em 19 de junho de 2022, 15:29

www.brasil247.com - (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

CartaCapital - Um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que 2,78 milhões de famílias estão na fila para terem acesso ao programa Auxílio Brasil, programa social do governo Bolsonaro. De acordo com a CNM, 5,3 milhões de pessoas têm perfil para receber o benefício do programa e estavam na fila em abril.

Entre março e abril, a fila mais do que dobrou, com um aumento de 116%. Saltou de 1,307 milhões de famílias (2,1 milhões de pessoas) para 2,788 milhões de famílias (5,3 milhões de pessoas).

Leia a íntegra na CartaCapital.

Fonte: https://www.brasil247.com/economia/auxilio-brasil-tem-fila-de-2-78-milhoes-de-familias-para-acessarem-o-beneficio