sábado, 12 de novembro de 2022
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
"Eleição só termina em 1 de janeiro de 2027, após o governo Lula", diz Eduardo Guimarães
"Vamos passar os próximos anos com a extrema direita em campanha, com os militares babando para qualquer tipo de intervenção”, alerta o jornalista
Eduardo Guimarães e Lula (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil 247 | Ricardo Stuckert)
247 - O jornalista Eduardo Guimarães, em entrevista à TV 247, afirmou que a eleição “não terminou no dia 30”, data do segundo turno do pleito presidencial, que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para retornar ao Palácio do Planalto.
Nos próximos anos, segundo Guimarães, a extrema direita seguirá mobilizada, em campanha, e fazendo uma oposição “virulenta” ao governo Lula. Desta forma, disse o jornalista, a nova administração federal precisará ser ampla. “O Lula projeta um governo de coalizão, um governo da frente ampla, porque vai ser muito difícil. É muita coisa para consertar, uma oposição virulenta. A eleição não terminou no dia 30. Na minha opinião, ela vai terminar no dia 1 de janeiro de 2027. Nós vamos passar os próximos anos com a extrema direita em campanha, com os militares babando para qualquer tipo de intervenção, com um Congresso muito mais de direita do que era, devido inclusive ao Senado, que é uma situação muito complicada. Então realmente é um governo que precisa de muita sustentação”.
Ele ainda alertou para a necessidade de manter a esquerda “unida”, sob pena de gerar um cenário ainda pior que o deixado pelo governo Jair Bolsonaro (PL). “O momento no Brasil é muito complicado. A esquerda tem que estar unida e o governo Lula precisa de muito apoio. Não é hora de ficar com aquela história de oposição pela esquerda. Isso é uma grande bobagem. A gente pode gerar uma situação que vai fazer a gente ter saudade da situação atual se não tivermos muito cuidado”.
Renda média de trabalhador branco é 75,7% maior que de pretos, diz IBGE
Estudo mostra que brancos ganham R$ 3.099 em média e são menos afetados pelo desemprego. Entre os pretos, salário médio é de R$ 1.764
(Foto: REUTERS/Pilar Olivares)
Léo Rodrigues, Agência Brasil - Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado hoje (11) mostra a cor como fator relevante na diferenciação do rendimento mensal médio dos trabalhadores no país em 2021. De acordo com o levantamento, os brancos ganham R$ 3.099 em média. Esse valor é 75,7% maior do que o registrado entre os pretos, que é de R$ 1.764. Também supera em 70,8% a renda média de R$ 1.814 dos trabalhadores pardos.
Mesmo entre pessoas com nível superior completo, persiste uma distância significativa. Nesse grupo, o rendimento médio por hora dos brancos foi cerca de 50% maior que o dos pretos e cerca de 40% superior ao dos pardos. Além disso, embora representem 53,8% dos trabalhadores do país, pretos e pardos ocuparam em 2021 apenas 29,5% dos cargos gerenciais.
Os brancos também têm sido menos afetados pelo desemprego. A taxa de desocupação em 2021 para eles é de 11,3%. Entre a população preta é de 16,5% e para a população parda, de 16,2%.
Os dados revelam ainda diferenças na informalidade: apenas os brancos se situam abaixo do índice nacional de 40,1%. Segundo o IBGE, "a informalidade no mercado de trabalho está associada, muitas vezes, ao trabalho precário e à ausência de proteção social". Ela envolve trabalhadores que podem enfrentar dificuldades para acesso a direitos básicos, como a aposentadoria e a garantia de remuneração igual ou superior ao salário mínimo
A proporção de pessoas pobres no país também é bastante distinta no recorte por cor. Entre os brancos, 18,6% estão abaixo da linha da pobreza, isto é, vivem com menos de US$ 5,50 por dia conforme uma das classificações do Banco Mundial. O percentual praticamente dobra entre pretos (34,5%) e pardos (38,4%).
Intitulado Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, o estudo faz um cruzamento de dados extraídos de mais 12 pesquisas do próprio IBGE. Ele está em sua segunda edição. A primeira, divulgada em 2019, foi mais enxuta: indicadores sobre mercado de trabalho e distribuição de rendimento, por exemplo, não integraram o levantamento. De acordo com o IBGE, "as desigualdades raciais são importantes vetores de análise das desigualdades sociais no Brasil, ao revelar no tempo e no espaço a maior vulnerabilidade socioeconômica das populações de cor ou raça preta, parda e indígena".
Outros indicadores
O estudo traz ainda informações atualizadas sobre patrimônio, educação, violência, representação política e ambiente político dos municípios. De acordo com o IBGE, há um acesso desigual dos diferentes grupos populacionais a bens e serviços básicos necessários ao bem-estar, como saúde, ensino, moradia, trabalho e renda.
Foi constatado que nos domicílios de pessoas brancas há maior presença de praticamente todos os bens duráveis analisados: geladeira, televisão, máquina de lavar, forno, micro-ondas, automóvel, computador, ar-condicionado, tablet e freezer. A única exceção foram as motocicletas, que aparecem com maior frequência em domicílios de pessoas pardas. No campo, entre os proprietários de terras com mais de 10 mil hectares, 79,1% se declaram brancos, 17,4% pardos e apenas 1,6% eram pretos.
O estudo também apresenta um recorte das vítimas de homicídio no país em 2020. Entre as pessoas pardas, registra-se a maior taxa, com 34,1 mortes por 100 mil. Na população preta, esse índice é de 21,9 mortes, enquanto entre os brancos é de 11,5.
Na educação superior, o IBGE encontrou diferentes realidades conforme o curso. Na pedagogia, por exemplo, pretos e pardos representavam 47,8% dos alunos matriculados em 2020. Na enfermagem, eles eram 43,7%. Por outro lado, no curso de medicina, representavam apenas 25%.
Dados de representação política nas eleições municipais de 2020 também foram incluídos no levantamento. Entre os candidatos a prefeito que realizaram campanhas com arrecadação superior a R$ 1 milhão, 67,5% são brancos.
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
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Gestão da Petrobrás vende subsidiária a preço vil no apagar das luzes do governo Bolsonaro
Denúncia foi feita pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás e envolve uma unidade de xisto entregue a um fundo canadenses
Petrobras (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Do site da Aepet – Ao apagar das luzes do governo mais entreguista que este país já viu, outro importante patrimônio nacional foi parar nas mãos do capital financeiro internacional. A Petrobras anunciou na noite de sexta-feira (04) a finalização da venda da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), situada em São Mateus do Su, no Paraná, para o grupo canadense Forbes & Manhattan Resources Inc.
A gestão da estatal informou que a operação foi concluída com o pagamento total de US$ 41,6 milhões, aproximadamente R$ 210 milhões na cotação atual. O valor da venda é pouco superior ao lucro registrado pela SIX em 2021 (cerca de R$ 200 milhões) e representa menos da metade do que a Petrobrás desembolsou no acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para sanar as dívidas relativas ao não recolhimento de royalties sobre as atividades de lavra do xisto durante o período entre 2002 e 2012 (R$ 540 milhões).
A cobiça do grupo canadense pela SIX vem sendo denunciada pelo Sindipetro PR e SC desde 2012. A trama envolve espionagem industrial, cooptação de ex-funcionários, prevaricação, entre outras irregularidades que foram relatadas em reportagem especial da revista Carta Capital (Leia aqui!).
A luta contra a privatização da SIX não terminou, muito pelo contrário. Existem ações judiciais em tramitação e denúncias junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Tribunal de Contas da União (TCU) por conta dos vários privilégios que a F&M obteve na aquisição da unidade e do prejuízo que essa transação representa ao erário.
Lula vai ampliar frente para defender democracia e garantir estabilidade
Presidente eleito usa transição para ampliar frente que o apoiou no segundo turno
Pronunciamento do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva após resultado das eleições (Foto: Ricardo Stuckert)
247 - Na última semana da campanha, Lula disse que, se eleito, faria um governo “além do PT”. A promessa parece ter orientado os primeiros passos da transição, ressalta o jornalista Bernardo Mello Franco no Globo.
Mello Franco destaca que a equipe escalada para conduzir a transição é mais ampla que a frente montada para o segundo turno. "A aliança eleitoral reunia 11 partidos. Agora MDB e PSD se juntaram ao time".
"O petista ainda negocia com siglas como o União Brasil, cujo presidente já avisou que não fará oposição 'de jeito nenhum', informa.
O colunista destaca ainda que o governo de Jair Bolsonaro acabou e que o poder real já se deslocou do Planalto para o CCBB, onde Geraldo Alckmin começou a dar expediente na segunda-feira. Ali será montado o novo desenho da Esplanada, embora o vice-presidente eleito tenha declarado que transição e ministério são “coisas diferentes”.
"Lula busca novas alianças para garantir maioria no Congresso, mas não apenas para isso. Ele também precisa amarrar setores da sociedade civil e do empresariado que não têm afinidade com o PT, mas votaram nele para derrotar Bolsonaro".
"O presidente eleito sabe que vai enfrentar uma oposição radicalizada e sem compromisso com a democracia. Para sobreviver a ela, precisará partilhar mais poder do que nos mandatos anteriores".