segunda-feira, 16 de junho de 2025

Agência Brasil: Caixa libera abono salarial para nascidos em julho e agosto

 

Calendário de pagamento segue mês de nascimento
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 16/06/2025 - 07:32
Brasília
caixa economica federal federal
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Cerca de 3,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada nascidos em julho e agosto que ganham até dois salários mínimos podem sacar, a partir desta segunda-feira (16), o valor do abono salarial do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) em 2025 (ano-base 2023). A quantia está disponível no Portal Gov.br.

Ao todo, a Caixa Econômica Federal liberará pouco mais de R$ 4,5 bilhões neste mês. Aprovado no fim do ano passado, o calendário de liberações segue o mês de nascimento do trabalhador. Os pagamentos começaram em 17 de fevereiro e vão até 15 de agosto. O trabalhador pode conferir a situação do benefício no aplicativo Carteira de Trabalho Digital.

Neste ano, R$ 30,7 bilhões poderão ser sacados. Segundo o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), o abono salarial de 2025 será pago a 25,8 milhões de trabalhadores em todo o país. Desse total, cerca de 22 milhões que trabalham na iniciativa privada receberão o PIS e 3,8 milhões de servidores públicos, empregados de estatais e militares têm direito ao Pasep.

O PIS é pago pela Caixa Econômica Federal; e o Pasep, pelo Banco do Brasil. Como ocorre tradicionalmente, os pagamentos serão divididos em seis lotes, baseados no mês de nascimento. O saque iniciará nas datas de liberação dos lotes e acabarão em 29 de dezembro de 2025. Após esse prazo, será necessário aguardar convocação especial do Ministério do Trabalho.

Arte abono salarial PIS/Pasep
Arte abono salarial PIS/Pasep - Arte/Agência Brasil

Quem tem direito

Tem direito ao benefício o trabalhador inscrito no PIS/Pasep há, pelo menos, cinco anos, e que tenha trabalhado formalmente por, no mínimo, 30 dias no ano-base considerado para a apuração, com remuneração mensal média de até dois salários mínimos. Também é necessário que os dados tenham sido informados corretamente pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

O valor do abono é proporcional ao período em que o empregado trabalhou com carteira assinada em 2023. Cada mês trabalhado equivale a um benefício de R$ 126,50, com períodos iguais ou superiores a 15 dias contados como mês cheio. Quem trabalhou 12 meses com carteira assinada receberá o salário mínimo cheio, de R$ 1.518.

O abono salarial não se confunde com as cotas do antigo Fundo PIS/Pasep, que estão sendo sacadas por meio de outra plataforma, lançada em março deste ano. O antigo fundo abriga cotas de cerca de 10,5 milhões de trabalhadores formais antes da Constituição de 1988. O abono salarial beneficia trabalhadores com carteira assinada após a Constituição de 1988 com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Pagamento

Trabalhadores da iniciativa privada com conta corrente ou poupança na Caixa receberão o crédito automaticamente no banco, de acordo com o mês de seu nascimento.

Os demais beneficiários receberão os valores por meio da poupança social digital, que pode ser movimentada pelo aplicativo Caixa Tem. Caso não seja possível a abertura da conta digital, o saque poderá ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha nos terminais de autoatendimento, unidades lotéricas, Caixa Aqui ou agências, também de acordo com o calendário de pagamento escalonado por mês de nascimento.

O pagamento do abono do Pasep ocorre via crédito em conta para quem é correntista ou tem poupança no Banco do Brasil. O trabalhador que não é correntista do BB pode efetuar a transferência via TED para conta de sua titularidade via terminais de autoatendimento e portal ou no guichê de caixa das agências, mediante apresentação de documento oficial de identidade.

Quem não é correntista da Caixa ou do Banco do Brasil e tem direito ao benefício também pode sacar o valor por meio do Portal Gov.br, no serviço "Receber o abono salarial", mas é necessário ter conta prata ou ouro.

Até 2020, o abono salarial do ano anterior era pago de julho do ano corrente a junho do ano seguinte. No início de 2021, o Codefat atendeu a recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU) e passou a depositar o dinheiro somente dois anos após o trabalho com carteira assinada.

arte abono salarial
Abono salarial - por Arte/Agência Brasil

domingo, 15 de junho de 2025

Telegram: Defesa da vida: Lula inaugura sistema de alertas da Defesa Civil



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste sábado (14) do lançamento oficial do sistema Defesa Civil Alerta, que enviará mensagens emergenciais por celular em situações de risco. A cerimônia ocorreu no Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), em Brasília, com a presença de ministros como Waldez Góes (Integração), Marina Silva (Meio Ambiente) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações).

Durante o evento, Lula destacou que com este sistema "podemos evitar muitas mortes. É uma política pública de defesa da vida". Uma mensagem de teste foi enviada a celulares de moradores de 36 municípios do Nordeste, simulando uma situação de emergência. A operação oficial começa em 18 de junho, e a previsão é que a cobertura seja ampliada para todo o país até o fim de 2025.

O sistema já funciona nas regiões Sul e Sudeste desde dezembro de 2024. Segundo o governo, a prioridade agora é capacitar prefeitos e equipes locais para lidar com emergências, garantindo orientação e segurança à população.

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sábado, 14 de junho de 2025

Brasil247: Safra farta derruba preços do arroz e feijão no Brasil, com quedas que passam de 20%


Grãos tradicionais do prato nacional ficaram mais baratos com maior oferta e mudanças no consumo

Grãos de arroz (Foto: Marcello Casal Jr/Ag. Brasil )
Guilherme Levorato avatar
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247 - Apesar da inflação de alimentos ainda pesar nas compras dos brasileiros, dois dos itens mais tradicionais da alimentação no país apresentaram recuos expressivos nos últimos 12 meses. De acordo com dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados pelo IBGE, arroz e feijão registraram quedas acumuladas de dois dígitos, impulsionadas principalmente por safras mais robustas e alterações nos hábitos de consumo da população, informa a Folha de S. Paulo.

Segundo os dados oficiais, o arroz teve uma redução de 12,07% em seu preço entre junho de 2024 e maio de 2025. O recuo ocorre após sucessivas altas nos anos anteriores e representa oito meses consecutivos de queda. No caso do feijão, o tipo preto despencou 23,01% no período, enquanto o feijão carioca – o mais consumido no país – ficou 13,17% mais barato. Variedades como o fradinho (-7,23%) e o mulatinho (-4,25%) também acompanharam a tendência de queda.

Oferta maior e padrão de consumo explicam movimento - A explicação central para esse cenário, de acordo com analistas do setor, está na elevação da oferta. “O principal fator [para a queda dos preços] é a oferta maior que a demanda”, afirmou o consultor Evandro Oliveira, especialista em arroz e feijão da consultoria Safras & Mercado. Ele também destaca que, embora a renda da população tenha crescido com a melhora do mercado de trabalho, a demanda pelos grãos caiu, afetada por diversos fatores sociais e econômicos.

Entre os motivos citados, Oliveira menciona mudanças nos hábitos alimentares – como a substituição de refeições caseiras por pratos prontos ou por refeições fora de casa – e o avanço das plataformas de apostas esportivas, as chamadas “bets”. Segundo o consultor, essas plataformas passaram a absorver parte do orçamento de famílias, inclusive de baixa renda, o que impacta diretamente no consumo de itens básicos.

Desempenho regional e projeções de safra - O desempenho positivo da agricultura em estados-chave para a produção também influenciou os preços. O Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do país, mesmo após as enchentes de 2024, deve ter uma recuperação significativa em 2025, com crescimento projetado de 15,9% na produção. Já o Paraná, destaque na produção de feijão, contribui com a primeira safra da leguminosa, que teve alta de 28,4% conforme o IBGE.

O economista Fábio Romão, da LCA 4intelligence, aponta que o ciclo de aumento de área plantada após altas de preços é comum. “Isso está acontecendo com o arroz”, observou. Após subir 5,98% em 2022, 24,54% em 2023 e 8,24% em 2024, o arroz teve expansão de 11,3% na área cultivada em 2025, conforme levantamento do IBGE. Romão projeta que o produto acumule queda de 13,7% neste ano no IPCA. Para o feijão, a expectativa é de retração de 4%, em média, considerando os quatro tipos acompanhados pelo índice.

Grãos destoam da tendência da cesta de alimentos - O alívio nos preços de arroz e feijão contrasta com o comportamento geral da alimentação no domicílio, que subiu 7,19% em 12 meses até maio. O café moído, por exemplo, foi o campeão de alta, com aumento de 82,24%, seguido pelas carnes, que registraram inflação acumulada de 23,48%.

Na cidade de São Paulo, os dados do Procon-SP em parceria com o Dieese reforçam a tendência de queda. O pacote de 1 kg de feijão carioca custava, em média, R$ 6,48 em abril de 2025, valor 17,87% inferior ao de abril de 2024 (R$ 7,89). Já o pacote de 5 kg de arroz caiu de R$ 28,73 para R$ 26,48, uma redução de 7,83%. Apesar disso, a cesta básica de alimentação na capital paulista encareceu 12,36% no mesmo intervalo.

Governo monitora impacto social da carestia - Mesmo com a trégua dada por arroz e feijão, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha com atenção a inflação dos alimentos, que atinge de forma mais direta os mais pobres. O encarecimento da comida está entre os fatores que explicam a queda de popularidade do presidente no início de 2025. A administração federal tem buscado estratégias para conter o avanço da carestia, mas encontra desafios em um cenário de incerteza climática e mercado volátil.

Fonte:  https://www.brasil247.com/economia/safra-farta-derruba-precos-do-arroz-e-feijao-no-brasil-com-quedas-que-passam-de-20-o9ykw5ql

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Agência Brasil: Enem 2025: prazo para solicitar nome social termina na sexta-feira

Educação
Opção deve ser feita no ato da inscrição
Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 02/06/2025 - 16:12
Brasília
Brasília (DF), 22/05/2025 - Ministério da Educação (MEC) lança a campanha de divulgação das inscrições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. Foto: MEC/Divulgação
© MEC/Divulgação

Os interessados em ter o tratamento pelo nome social no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 devem assinalar a opção no ato de inscrição até as 23h59, horário de Brasília, de sexta-feira (6).

O direito de tratamento pelo nome social é destinado à pessoa que se identifica e quer ser reconhecida socialmente conforme sua identidade de gênero e está garantido pelo Decreto nº 8.727/2016.

O nome social será apresentado em todos os documentos e materiais administrativos do Enem, como no cartão de confirmação de inscrição e nas provas.

Desde 2014, a organização do Enem autoriza o uso do nome social por candidatos travestis, transexuais ou transgêneros.

Inscrições

A opção de tratamento pelo nome social deverá ser marcada na Página do Participante do Enem, com Cadastro de Pessoa Física (CPF) e senha do portal de serviços digitais do governo federal, o Gov.br.

O edital do exame explica que tratamento por nome social será igual aos dados cadastrados na Receita Federal. Para não inviabilizar a correspondência entre as informações, antes de fazer a inscrição, o participante deverá verificar a correspondência dessas informações pessoais e, se for o caso, atualizá-las na Receita Federal.

O nome social não poderá ser alterado no sistema de inscrição. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) alerta que antes de fazer a solicitação, o participante deverá verificar se o nome social é correspondente ao cadastrado na Receita Federal. 

Vale lembrar que a alteração do nome social cadastrado na Receita Federal após o período de inscrição não refletirá nos materiais da aplicação do Enem 2025, que serão impressos com o nome informado no ato da inscrição.

A visualização da alteração estará disponível na Página do Participante somente após a divulgação dos resultados.

Não será aceita solicitação de tratamento pelo nome social fora do sistema e do período de inscrição.

O Inep, órgão responsável pelo Enem, pode, a qualquer tempo, solicitar documentos comprobatórios da condição que levou o candidato a pedir o uso do nome social.

Dúvidas

A taxa de inscrição do Enem 2025, no valor de R$ 85, deve ser paga até 11 de junho.

O Inep aplicará as provas em 9 e 16 de novembro, em todas as 27 unidades da federação.

O portal do Inep conta com um site com perguntas mais frequentes e as respectivas respostas, com  as principais orientações para os participantes do Enem. 

 

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Agência Brasil: Pesquisa revela condições precárias do trabalho remoto no mundo

 Economia

Pesquisadores e MPT cobram aplicação de regras mais claras
Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 01/06/2025 - 14:21
Rio de Janeiro
Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Plataformas digitais se tornaram mediadoras de serviços no mundo. Entregas, transporte e aluguel por temporada estão entre os mais conhecidos. Mas essas empresas têm contratado também pessoas para uma série de trabalhos à distância online, em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, para tarefas como alimentação de banco de dados de inteligência artificial, criação de conteúdo, apoio a vendas e serviços profissionais, como os de contador, advogado e arquiteto, que podem ser pagos por projetos.

O trabalho remoto em plataformas chega a ser responsável pela principal remuneração de seis em cada dez trabalhadores dessa modalidade, o que significa comprometimento de tempo e com as condições das empresas. No entanto, é exercido em condições precárias. As empresas deixam de pagar por serviços, atrasam e remuneram menos que o salário mínimo do local de residência dos prestadores. Também falham em garantir suporte e segurança, o caso de pessoas submetidas a categorizar vídeos violentos ou de conteúdo sexual, não oferecem proteção social e ainda dificultam a organização dos trabalhadores.

Essas são algumas das principais constatações do Relatório Fairwork Cloudwork Ratings 2025, um projeto que reúne uma rede global de pesquisadores coordenados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e pelo instituto WZB Berlin, na Alemanha, divulgado neste mês, por meio de um evento na internet.

O estudo avaliou 16 plataformas de trabalho em nuvem entre as mais utilizadas e fez um levantamento que envolveu também cerca de 750 trabalhadores em 100 países. Como resultado, o relatório traz um ranking das plataformas em relação a condições básicas de trabalho e surpreende pelas notas atribuídas. A média dessas plataformas foi 3,5 de um total de 10. 

Segundo a pesquisa, a Amazon Mechanical Turk, a Freelancer e a Microworkers não pontuaram e oferecem as piores condições. A Upwork alcançou um ponto. A Fiverr e a Remotasks receberam dois pontos. As empresas não comentaram o estudo. 

Segundo o Fairwork, entre as condições mais preocupantes do trabalho remoto em plataformas está o pagamento. Um em cada três entrevistados afirmou que deixou de receber por algum serviço ou recebeu em cartões-presentes, que depois precisaram ser leiloados online para que o dinheiro chegasse de fato à conta corrente. 

“Gostaria de poder receber meu dinheiro em minha conta bancária em vez de cartões-presente”, relatou da Nigéria um turker, como são chamados, ouvido pelo Fairwork. 

Muitas empresas estão no norte global e não pagam diretamente a trabalhadores de outras regiões.

O relatório internacional aponta ainda que apenas quatro das 16 plataformas pesquisadas conseguiram comprovar que os prestadores ganham pelo menos um salário mínimo, descontados os custos como impostos, apesar de o setor ter movimentado cerca US$ 557 bilhões em 2024, valor que deve crescer para US$ 647 bilhões este ano. No Brasil, um dos mercados dessas plataformas, o salário mínimo é de R$ 1.518. 

“O [projeto] Fairwork procurou dados, evidências e informações de que as plataformas estão pagando o salário mínimo, mas só encontramos [as informações] em quatro das 16 plataformas”, explicou o coordenador do relatório, pesquisador brasileiro no Oxford Internet Institute, Jonas Valente. 

“Em dois desses casos, as plataformas têm uma política dizendo que não pode pagar abaixo do salário mínimo local. Outras duas compartilharam dados dos pagamentos mostrando que pagavam adequadamente”, informou Jonas.

Além de pagar pouco, as plataformas incluem nos contratos cláusulas com descrições vagas e pouco transparentes que prejudicam os trabalhadores. 

De acordo com Jonas Valente, o contrato é uma questão chave porque prevê as regras do trabalho, embora não sejam compreensíveis para todos. 

“Quando a gente olha para os modelos mais clássicos, está escrito no contrato aquilo o que cada parte, trabalhador e empregador, pode ou vai fazer. No caso das plataformas, encontramos os contratos, mas muitos não são claros. No caso de trabalhadores que estão dispersos, no Brasil, por exemplo, onde muitos não falam inglês, a pessoa vai ter dificuldade de entender o que ela pode ou não fazer, quais são as regras e como ela vai ser paga. Isso leva a questões concretas, como condutas que podem determinar a suspensão ou o desligamento das plataformas”, explicou.

O pesquisador também alertou para o fato de muitas plataformas se eximirem de responsabilidades sobre a saúde do trabalhador, apesar de exigir disponibilidade. 

São Paulo (SP), 31/03/2025 - Entregadores de aplicativos de delivery em greve fazem manifestação na frente a sede do iFood em Osasco. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Plataformas se eximirem de responsabilidades sobre a saúde do trabalhador, apontou a pesquisa Faiwork - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O relatório cita uma trabalhadora do Peru, formada em ciências sociais que, por ter ficado horas em frente às telas, por exigência da empresa, precisou operar a retina. A peruana, no entanto, não recebeu ajuda e ainda acabou desligada. Ela ganhava entre US$ 10 e US$ 15 por hora e fazia jornadas entre 6 horas e 9 horas, que entravam pela madrugada.

Na avaliação geral dos pesquisadores, como é difícil fiscalizar o trabalho remoto, pois as pessoas estão em casa, dispersas em vários países, tampouco há sindicatos ou listas de trabalhadores, em geral, é necessária uma regulação rigorosa por parte dos Estados para reverter as condições precárias. 

No relatório, o Fairwork defende uma regulamentação nacional e também internacional dessa modalidade de trabalho, como forma de alcançar cerca de 400 milhões de pessoas no setor, estimativa do Banco Mundial.

"Precisamos urgentemente que os governos e os órgãos reguladores se mobilizem e responsabilizem as plataformas, seja por meio de estruturas globais, leis de due diligence [diligências em suas operações] ou diretrizes de trabalho em plataforma”, cobrou Jonas Valente. 

“Sem ação, milhões de pessoas vão continuar presas em postos de trabalho digital inseguro e mal remunerado, sem voz, sem direitos e sem proteção”, alertou o pesquisador. 

No caso do Brasil, ele chama ainda a atenção para a regulação proposta no Projeto de Lei 12/24, que deveria incluir todos os trabalhadores em plataformas e não apenas os motoristas de transporte privado, como foi proposto. 

O Ministério Público no Brasil defende aplicação de regras nacionais.

São Paulo (SP), 28/04/2023 - O motorista de aplicativo Jonas Ferreira fala sobre os prós e contras do trabalho autônomo. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Procurador defende que lei deveria incluir todos os trabalhadores em plataformas e não apenas os motoristas de transporte privado - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A necessidade de regular o trabalho remoto em plataformas é uma preocupação compartilhada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). A entidade tem recebido denúncias de descumprimento de leis trabalhistas no setor e montou o Projeto Plataformas Digitais para acompanhá-las. 

“É uma situação preocupante, se trata de uma nova forma de trabalho que está se expandindo, e o MPT já reconhece que há uma precarização grande no Brasil", reconheceu o gerente da iniciativa, procurador Rodrigo Castilho. 

Ele cita a violação da jornada legal, a necessidade de adequação do ambiente de trabalho, as dificuldades de organização sindical e também a baixa remuneração, de centavos por hora, diante do alto volume de tarefas ou de horas disponíveis para o trabalho nas plataformas. 

"Temos denúncias diversas que questionam a ausência total e completa de direitos a esses trabalhadores", informou, reverberando as constatações do Fairwork. 

De acordo com Castilho, as plataformas tratam os trabalhadores como colaboradores autônomos, independentes, o que na prática significa negar direitos que os trabalhadores no Brasil conquistaram, como férias, 13º e o  direito ao descanso remunerado, previstos para aqueles formalizados, com carteira assinada. 

Castilho defende que, na ausência de normas regulatórias para o setor, a legislação nacional, no caso do Brasil, seja aplicada. 

Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.
Plataformas tratam os trabalhadores como colaboradores autônomos, independentes, o que na prática significa negar direitos - Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil

"O inaceitável é que esses trabalhadores não sejam contemplados com nenhum direito, enquanto se aguarda a regulação". 

Na avaliação do procurador, deveria haver também um compromisso ético das próprias plataformas com os trabalhadores. 

"A gente vive em uma sociedade capitalista, de mercado, essas são as regras do jogo. A questão toda é que há um componente ético nas relações sociais e as pessoas não podem ser exploradas nos seus direitos, em sua dignidade, trabalhando em ambientes inseguros e insalubres para que outras tenham lucros exorbitantes".

A partir do projeto Fairwork, realizado desde 2023, foi oferecido suporte às plataformas para que se adequassem a padrões mínimos de trabalho justo, e 56 melhorias foram feitas. 

As ações vão da atualização de contratos até a melhoria na resolução de disputas e transparência. No entanto, as mudanças ficaram restritas a poucas empresas.

Este ano, a Fairwork convidou as 16 plataformas investigadas para comentar a pesquisa. Somente três responderam, a ComeUp, a Scale/Remotasks e a Translated. Elas reconheceram problemas e informaram que continuam com o compromisso de melhorar as condições. As demais não responderam. 

Foram investigadas a Fiverr, SoyFreelancer, Appen, Clickworker, PeoplePerHour, Upwork, Freelancer, Microworkers, Prolific, Terawork, Creative Words e Elharefa, além da Amazon  Mechanical Turk.

Portal Vermelho: Consumo das famílias manteve ritmo de crescimento em abril

 

Associação Brasileira de Supermercados revela que alta no comércio de alimentos se mantém por meio de políticas de renda como Bolsa Família, auxílio gás e abono do PIS/Pasep

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O mês de abril marcou crescimento de 1,25% no comércio de alimentos em comparação com março. Quando comparado a abril de 2024, a alta é de 2,63%. No acumulado entre janeiro e abril, o indicador de Consumo nos Lares Brasileiros marca crescimento de 2,52%. Os valores são da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que monitora o consumo das famílias nos supermercados e deflacionou os dados com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE).

De acordo com a entidade, a manutenção do ritmo de crescimento tem como influência recursos de políticas de renda que movimentaram a economia, dentre eles:

  • liberação escalonada de R$ 12 bilhões via Saque-Aniversário do FGTS;
  • distribuição de valores do Programa Pé-de-Meia;
  • repasse de recursos do Bolsa Família, R$ 13,66 bilhões a 20,48 milhões de famílias;
  • pagamento do Auxílio-Gás, R$ 580,46 milhões para 5,37 milhões de famílias;
  • continuidade do saque do PIS/Pasep, com previsão de liberação de R$ 30,7 bilhões ao longo de 2025;
  • liberação de R$ 2,8 bilhões em Requisições de Pequeno Valor (RPVs) do INSS;
  • assim como o pagamento da antecipação da primeira parcela do 13º salário para aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS, cerca de 34,2 milhões de segurados.

Ainda é destacado que o reajuste dos servidores públicos federais e o pagamento do primeiro lote de restituição do Imposto de Renda devem seguir impulsionando o consumo ainda no primeiro semestre.

Leia mais: Lula quer construir um Brasil de padrões elevados de consumo, educação e transporte

Para Marcio Milan, vice-presidente da ABRAS, “embora o crescimento de 1,25% em abril, influenciado pela sazonalidade da Páscoa, possa parecer modesto, ele ocorreu sobre uma base comparativa elevada, já que, em março, o consumo avançou expressivamente 6,96%. Esse resultado atípico no mês anterior reduziu o espaço para um crescimento mais robusto. Ainda assim, o consumo na semana da Páscoa cresceu 16,5%, evidenciando o impacto positivo da data no consumo das famílias.”

Produtos

Apesar dos bons resultados, que indicam que a economia está em alta, impulsionada pelo consumo das famílias, a Abras destaca que a cesta básica ampliada, que contém 35 produtos, teve aumento do valor em 0,82% em abril, com o acumulado de 10,83% em 12 meses.

Este tem sido um dos principais desafios do governo federal: controlar a inflação dos alimentos. O valor da cesta passou de R$ 812,54 em março para R$ 819,20 em abril, sendo que as maiores altas entre os meses foram na batata (+18,29%), tomate (+14,32%), café torrado e moído (+4,48%), cebola (+3,25%) e feijão (+2,38%). Considerando itens que compõem a cesta no grupo de higiene e limpeza, os maiores aumentos foram em creme dental (+1,70%) e xampu (+1,11%).

Por outro lado, o preço do arroz (-4,19%), da farinha de mandioca (-1,91%) e dos ovos caíram (-1,29%).

A cesta básica mais cara é a da região Sul do país, com valor médio de R$ 902,09 em abril. A mais barata é a do Nordeste, R$ 729,09.

*Com informações Agência Brasil e Abras

Fonte:  https://vermelho.org.br/2025/05/30/consumo-das-familias-manteve-ritmo-de-crescimento-em-abril/

Portal Vermelho: Em 15 anos, Bolsa Família evitou mais de 700 mil mortes

 

Programa também reduziu em 8 milhões as internações hospitalares, tendo especial impacto entre crianças e idosos. Conclusões são de estudo publicado na The Lancet Public Health

Foto: reprodução/MDS

Entre os anos de 2004 e 2019, mais de 700 mil mortes e oito milhões de internações hospitalares foram evitadas pelo programa Bolsa Família. Tais efeitos impactam, sobretudo, as crianças menores de cinco anos e idosos com mais de 70 anos. 

Os dados fazem parte de estudo conduzido por Rômulo Paes, do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), Daniella Cavalcanti, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Davide Rasella, da Universidade de Barcelona e publicado nesta quinta-feira (29) pela prestigiada revista The Lancet Public Health. 

A análise considerou informações de 3.671 municípios, definidos pela qualidade adequada de registro civil e das estatísticas, representando mais de 87% da população brasileira.

“O estudo indica a excepcional consistência e resiliência do Programa Bolsa Família, indicando que ele possui um desenho que foi sendo aperfeiçoado ao longo do tempo e que sobreviveu aos momentos críticos para a gestão pública no país”, apontou Rômulo Paes.

Na avaliação de Daniella Cavalcanti, o programa representou um divisor de águas na proteção social brasileira, especialmente para as populações mais vulneráveis. “Nosso estudo analisou os impactos de duas décadas de implementação do programa, com foco em indicadores de saúde, como hospitalizações e mortalidade. Os resultados são contundentes: o Bolsa Família não apenas aliviou a pobreza no curto prazo, mas também contribuiu para interromper o ciclo intergeracional da pobreza, promovendo melhorias reais e sustentáveis nas condições de vida”. 

Leia também: Desemprego cai; ocupações com carteira assinada e salários crescem

De acordo com a pesquisa, os efeitos sobre a saúde são mais robustos quando há alta cobertura (percentual de famílias elegíveis atendidas) e alta adequação (valor médio transferido por família) do programa. 

Nessas condições, a mortalidade infantil caiu 33% e as internações de idosos acima de 70 anos foram reduzidas pela metade. Além disso, as populações historicamente excluídas — como crianças em extrema pobreza, famílias em áreas rurais remotas, e comunidades negras e indígenas — foram justamente as mais beneficiadas.

Avaliações anteriores também demonstraram que o PBF alcançou impactos positivos, conseguindo reduzir os riscos de doenças infantis e maternas, bem como a mortalidade por causas específicas, como HIV/Aids e tuberculose, especialmente em populações mais vulneráveis. No entanto, nenhum outro estudo avaliou de forma abrangente a associação entre PBF e mortalidade e hospitalização, geral e estratificada por idade, nas duas décadas de existência do programa.

Além das evidências que mostram os impactos internos do programa, o resultado do estudo também demonstra a importância dessa experiência para a viabilização da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A iniciativa foi lançada pelo Brasil em 2024, durante sua presidência do G20, e busca fortalecer a cooperação internacional para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 e 2 de erradicação da pobreza e da fome.

“O estudo demonstra de forma ainda mais ampla, o que a ciência tem mostrado ao longo dessas duas décadas do Bolsa Família: ele é mais que transferência de renda, é promoção da saúde, ferramenta de justiça social e, referência internacional, tanto que integra a cesta de políticas da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, analisou o titular do Ministério do Desenvolvimento Social e presidente do Conselho da Aliança Global, Wellington Dias.

Bolsa Família e o combate à pobreza

O Bolsa Família foi criado por medida provisória no primeiro ano do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003 e tornado lei em 2004.  Atualmente, cerca de 54 milhões de pessoas são atendidas pelo programa. 

Estudo no Unicef divulgado no início deste ano mostrou outro dos muitos impactos positivos trazidos pelo programa. Por meio da iniciativa, o Brasil reduziu significativamente o número de crianças e adolescentes, de zero a 17 anos, vivendo na pobreza. O número saiu de 34,3 milhões (62,5%) de crianças e adolescentes nessa condição, em 2017, para 28,8 milhões (55,9%), em 2023.

Leia também: Com Lula, Brasil alcança menor nível de pobreza da série histórica

O programa também influenciou na redução geral da pobreza, juntamente com melhorias na geração de emprego e renda. De acordo com dados do IBGE divulgados no começo do mês, a pobreza extrema e a desigualdade de renda caíram em 2024 aos menores níveis desde 2012.

O rendimento de todas as fontes por pessoa de um mesmo domicílio cresceu 4,7% em relação a 2023, para R$ 2.020 por mês, nível recorde desde 2012. No grupo dos 5% da população que ganham menos, em torno de 10,8 milhões de pessoas, a renda saltou 17,6%.

Com agências

Fonte:  https://vermelho.org.br/2025/05/31/em-15-anos-bolsa-familia-evitou-mais-de-700-mil-mortes/